O UFC 334 está marcado para 14 de novembro no Madison Square Garden, em Nova York, com preliminares iniciais às 19h e card principal às 23h de Brasília. A luta principal é Ciryl Gane (14-2) x Josh Hokit (10-0) pelo cinturão dos pesos pesados. Mas a co-principal é a que destrava uma categoria inteira: Kayla Harrison (19-1) defende o título do peso-galo feminino contra Amanda Nunes (23-5).
Uma divisão parada por uma cirurgia
O peso-galo feminino não teve uma única disputa de cinturão em 2026. O motivo tem nome: Harrison foi barrada por lesões ao longo de todo o ano. O combate com Nunes já estava marcado para janeiro e caiu porque a americana precisou operar o pescoço. O efeito em cadeia aparece no ranking: Julianna Peña segue como nº 1 e Joselyne Edwards chegou ao nº 2 com cinco vitórias seguidas, sem que nenhuma das duas conseguisse uma data pelo título.
Para o leitor brasileiro, esse congelamento tem preço mensurável. Seis das 15 ranqueadas da categoria são brasileiras: Norma Dumont (nº 4), Luana Santos (nº 7), Jacqueline Cavalcanti (nº 8), Karol Rosa (nº 10), Bia Mesquita (nº 11) e Alice Pereira (nº 15). Um ano sem luta de cinturão é um ano em que nenhuma delas tem para onde subir, o mesmo problema que já descrevemos nos cinturões do UFC sem defesa de título.
Nunes volta três anos e cinco meses depois
Nunes não luta desde 10 de junho de 2023, quando venceu Irene Aldana por decisão unânime em cinco rounds no UFC 289 e deixou o cinturão vago. São três anos e cinco meses entre uma luta e outra. O cartel é de 23-5, com 13 nocautes e quatro finalizações, e ela continua sendo a única mulher que foi campeã simultânea em duas divisões do UFC, no galo e no peso-pena.
A pergunta que o combate responde não é se Nunes ainda bate forte: os 4,55 golpes significativos por minuto e os 52% de precisão retratam uma carreira inteira, não o estado atual. A pergunta é se três anos e cinco meses de inatividade pesam mais do que o histórico médico de Harrison, que entra com 19-1 e também sem rodagem recente. As duas chegam com o mesmo problema de calendário, por motivos diferentes, e é por isso que a luta, apesar do peso histórico, é mais imprevisível do que o cartel sugere.
Quatro brasileiros no card de Nova York
Além de Nunes, o UFC 334 tem Caio Borralho, Bia Mesquita e Jefferson Nascimento. Borralho (18-2), nº 5 do peso-médio e representante do Fighting Nerds, encara o holandês Yousri Belgaroui, que não está no ranking. É uma equação assimétrica: vencer não o aproxima do cinturão de Sean Strickland, perder o tira da zona de disputa. Ele vem de decisão unânime sobre Reinier de Ridder, em março, e de derrota para Nassourdine Imavov, em setembro de 2025, o mesmo engarrafamento do peso-médio que trava os brasileiros da categoria.
Bia Mesquita, nº 11 do peso-galo feminino, enfrenta Macy Chiasson nas preliminares iniciais, e Jefferson Nascimento pega o azerbaijano Nazim Sadykhov na abertura. Antes disso, o calendário passa por Las Vegas em 31 de outubro e em 7 de novembro, quando Gabriel Bonfim encara Sean Brady. O calendário do UFC tem a lista completa.
Fonte: UFC.com, ESPN.
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