O UFC 333 coloca dois cinturões em jogo na Etihad Arena, em Yas Island, Abu Dhabi, neste sábado, 24 de outubro de 2026. O early prelims abre às 11h de Brasília, as preliminares às 13h e o card principal às 15h.
Luta principal e co-main event valendo faixa: Alexander Volkanovski x Movsar Evloev nos penas e Petr Yan x Merab Dvalishvili, pela terceira vez, nos galos. E há motivo para o torcedor brasileiro acordar cedo: Iasmin Lucindo e Nicolle Caliari fazem um duelo 100% nacional no peso palha, e Daniel Santos também entra em ação. Veja os números e os nossos prognósticos, luta por luta. Para o contexto, leia o nosso texto sobre os dois cinturões em Abu Dhabi.
Volkanovski x Evloev: 38 anos contra um cartel de 20-0
Volkanovski (28-4) chega aos 38 anos com um dado que explica a dimensão do risco: segundo a ESPN Research, os lutadores do UFC com 38 anos ou mais venceram 37% de seus combates em toda a história da organização. O australiano já contrariou essa estatística em abril de 2025, quando se tornou o primeiro atleta acima de 35 anos a conquistar um cinturão do UFC em categoria abaixo das 170 libras, ao bater Diego Lopes por decisão unânime no UFC 314. Repetiu a dose contra Lopes no UFC 325, em 31 de janeiro deste ano, também por decisão unânime em cinco rounds. É o 7º colocado no ranking peso por peso da ESPN, e esta é sua 33ª luta profissional, a 12ª por cinturão no UFC.
Do outro lado está o desafiante mais difícil de ler da categoria. Evloev (20-0) nunca perdeu, está 10-0 no octógono e — este é o ponto — nunca finalizou nem nocauteou um adversário no UFC. No cartel geral, 13 das 20 vitórias vieram por decisão (65%), 3 por nocaute técnico e 4 por finalização. O russo da American Top Team venceu Lerone Murphy por decisão majoritária em 21 de março, e antes passou por Aljamain Sterling, Arnold Allen e o próprio Lopes. É o grappler de controle clássico: quedas, posição, tempo de domínio.
Volkanovski trabalha com a leitura de que esse perfil o favorece. “O estilo dele é um matchup perfeito para mim, eu realmente acredito nisso”, disse o campeão à ESPN. “Não estou no meu auge. Mas, estilisticamente, acho que vocês vão dizer: juro que esse é o melhor Volk que já vimos.” Na pesagem, Volkanovski marcou 144,5 libras e Evloev cravou as 145.
Prognóstico: Volkanovski por decisão unânime
A chave está nos números do desafiante: quem precisa de controle prolongado para vencer rounds tem pouca margem contra um campeão que se levantou das quedas de Islam Makhachev por cinco rounds no UFC 284. Evloev não tem o golpe que encerra a luta, e o critério moderno de julgamento pune tentativa de queda malsucedida. Os treinadores ouvidos pela ESPN vão na mesma direção: Sayif Saud (Fortis MMA) projetou Volkanovski por decisão, John Wood (Syndicate MMA) cravou nocaute técnico. Ficamos com a versão conservadora: Volkanovski por decisão unânime, a nona vitória em lutas de cinturão dos penas e o empate com José Aldo em oito defesas bem-sucedidas.
Yan x Dvalishvili 3: a 20ª trilogia da história do UFC
É o terceiro encontro entre os dois e completa a 20ª trilogia da história do UFC, segundo levantamento da ESPN. O problema para quem tenta prever é que as duas primeiras lutas apontaram para lados opostos. Em março de 2023, Dvalishvili (21-5) dominou por decisão unânime e registrou o recorde do UFC de 49 tentativas de queda em um só combate. Em 6 de dezembro de 2025, no UFC 323, Yan (20-5) devolveu e levou o cinturão, com dois jurados dando quatro dos cinco rounds ao russo.
O contexto daquela segunda luta pesa. Dvalishvili tentava a quarta defesa de cinturão em um mesmo ano-calendário, feito que ninguém jamais conseguiu nem tentou no UFC. Para isso cortou peso duas vezes em 63 dias e escondeu uma lesão no joelho de parte da própria equipe. “Tudo deu errado”, admitiu o georgiano à ESPN. “Tive o pior plano de jogo, o pior campo de treino, o pior preparo de qualquer luta de título. Mas não é desculpa. Yan me venceu.”
Yan passou a primeira metade de 2026 se recuperando de uma cirurgia nas costas e chega com quatro vitórias seguidas — Song Yadong, Deiveson Figueiredo, Marcus McGhee e Dvalishvili. Para ele, a decisão não será física. “Esta luta será decidida por QI de luta, força mental e por qual lutador tomar as melhores decisões”, disse o campeão à ESPN, por meio de tradutor. “Na segunda luta, eu o venci. Na terceira, farei o mesmo.”
Prognóstico: Yan por decisão
O detalhe técnico que mais importa: em dezembro, Yan não apenas defendeu as quedas — ele deu mais quedas que Dvalishvili. Um georgiano saudável muda o volume, e a equipe trabalhou o controle de solo para não desperdiçar o cardio em entradas que não rendem nada. Mas 16 das 21 vitórias de Dvalishvili vieram por decisão (76%): ele vence acumulando, não machucando. Contra um trocador de precisão que já leu o quebra-cabeça, acumular é mais difícil. Yan por decisão.
Lucindo x Caliari: o duelo brasileiro que começou na balança
O confronto 100% brasileiro do peso palha ganhou um capítulo antes do sinal. Caliari (9-4) subiu na balança com 120,5 libras, acima do limite da categoria, e será multada em um percentual da bolsa, segundo o relatório de pesagem do Sherdog. A luta foi mantida; Lucindo (18-6) bateu as 115 libras exatas.
São duas carreiras de desenho oposto. A cearense de 24 anos tem 7 das 18 vitórias por decisão e um histórico de rounds longos: bateu Angela Hill em agosto de 2025, Marina Rodriguez por decisão dividida no UFC 307 e Karolina Kowalkiewicz no UFC 301. A curitibana de 29 anos, da Thai Brasil Floripa, é o extremo contrário: nenhuma das suas 9 vitórias foi por decisão — 5 por nocaute técnico e 4 por finalização. Sua última atuação foi um triângulo de braço sobre Shauna Bannon, no terceiro round, em 16 de maio.
Prognóstico: Lucindo por decisão unânime
Caliari nunca venceu nos cartões dos juízes, e uma pesagem estourada raramente ajuda quem precisa de explosão no terceiro round. Lucindo tem o repertório mais completo e a experiência de 15 minutos de alta cadência contra nomes de ranking. Se passar do segundo round, a conta vira para a cearense. Lucindo por decisão unânime.
Daniel Santos e o resto do card principal
Daniel “Willycat” Santos (14-3), de Uberaba e da Chute Boxe Diego Lima, encara Bolaji Oki (10-4) precisando de resposta: em 16 de maio foi parado por Doo Ho Choi por nocaute técnico aos 4min29 do segundo round, sua primeira derrota desde 2022. Antes havia emplacado três vitórias seguidas, incluindo um nocaute técnico em 21 segundos sobre Joo Sang Yoo no UFC 320. Com 7 dos 14 triunfos por nocaute, é o lado que decide cedo. Prognóstico: Santos por nocaute técnico.
- Lone’er Kavanagh x Ramazan Temirov (moscas): o inglês de 27 anos bateu Brandon Moreno por decisão unânime na Cidade do México em março e perdeu para Brandon Royval por finalização no UFC 329. Prognóstico: Kavanagh por decisão.
- Alexander Volkov x Rizvan Kuniev (pesados): Kuniev marcou 265 libras contra 256 de Volkov. O veterano tem a distância e o jab para anular o avanço. Prognóstico: Volkov por decisão.
- Aaron Pico x Losene Keita (penas): Pico, de 30 anos, venceu 10 das últimas 12 lutas e bateu Patricio Pitbull em abril, mas perdeu a estreia no UFC por nocaute. Keita está 1-1 na organização e substituiu Arnold Allen. Prognóstico: Pico por nocaute técnico.
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Fonte: UFC.com, ESPN, Sherdog.
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