Khamzat Chimaev disse à ESPN, em entrevista publicada nesta semana, que quer a revanche imediata contra Sean Strickland pelo cinturão dos médios. O detalhe que o pedido esconde: o número 1 da categoria vai terminar 2026 sem ter feito uma única luta de MMA no ano.
Um ano de wrestling, nenhuma luta no octógono
Chimaev (15-1) perdeu o título em 9 de maio, no UFC 328, por decisão dividida. Dois jurados deram 48-47 para Strickland (30-7) e um deu 48-47 para o checheno, que não aceitou o resultado. “Eu venci a luta, mas tiraram meu cinturão”, disse ele à ESPN. “Não sou juiz, mas nunca vi o cara que corre para trás vencer a luta.”
Desde então, ele não voltou ao octógono. Segundo a ESPN, Chimaev enfrenta o ex-campeão meio-médio Robbie Lawler na sexta-feira pela RAF, liga de wrestling, no que será seu quarto compromisso do tipo em 2026 — o quinto, contra Colby Covington, já está marcado para novembro. “Primeiro, eu quero meu cinturão de volta”, afirmou. “Essa é a prioridade número um para mim.”
Do outro lado, Strickland é campeão desde 9 de maio e aparece com zero defesas na lista de campeões atuais da ESPN, atualizada em 4 de outubro. Ele passou o mês reclamando publicamente dos pagamentos do UFC e sugeriu que tentará sair do contrato para fazer uma luta de boxe contra Jake Paul; Dana White respondeu que o campeão assinou um acordo novo em maio.
A fila parada custa caro a Borralho e Gregory Rodrigues
Enquanto campeão e desafiante discutem, a fila do ranking oficial de 17 de outubro não anda. Nenhum dos quatro primeiros do peso médio — Chimaev, Dricus Du Plessis, Nassourdine Imavov e Brendan Allen — tem luta marcada no calendário divulgado até 12 de dezembro, última data do ano.
Os dois brasileiros do top 10 pagam a conta de formas diferentes. Caio Borralho, número 5, volta no UFC 334, em 14 de novembro, mas contra Yousri Belgaroui, que não está no ranking: mesmo vencendo, ele não ultrapassa ninguém. O cartel de 18-2 do brasileiro já carrega nove vitórias por decisão e tempo médio de luta de 14min09s, segundo o perfil oficial do UFC — ele vence, mas raramente de um jeito que force a mão do matchmaking.
Gregory Rodrigues, número 7, está na situação oposta e igualmente travada. São quatro vitórias seguidas, a última por decisão unânime em cinco rounds sobre Anthony Hernandez, hoje número 8, em 22 de agosto. Com 20-6 e 12 nocautes no cartel, ele é o brasileiro mais quente da divisão — e não tem nada marcado.
O que ainda pode mexer em 2026
O único duelo entre ranqueados do peso médio que resta no ano é Jared Cannonier (11º) contra Ikram Aliskerov (13º), em 21 de novembro, em Doha. É a parte de baixo do top 15: não resolve a fila, apenas reorganiza quem está longe dela.
A consequência prática para quem torce no Brasil é simples. Se Chimaev conseguir a revanche imediata que pede, Borralho e Rodrigues ficam fora da conversa até 2027, mesmo vencendo. Se não conseguir, o UFC precisará escolher um desafiante entre nomes que não lutam há meses — e aí o cartel recente de Rodrigues, com quatro vitórias e um top 10 derrotado, vira o argumento mais forte da divisão.
A agenda completa está no calendário do UFC. A volta do brasileiro em Nova York foi detalhada em Caio Borralho x Yousri Belgaroui, e o lado do campeão está em Strickland e a ameaça de deixar o UFC. Mais análises no hub de UFC.
Fonte: ESPN, UFC.com.
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