[UFC] Bonfim trocou finalização por decisão e isso muda sua fila no meio-médio

Julien Josset | 21/10/2026 - 21:42

O cartel de Gabriel Bonfim diz finalizador: 20-1, com 13 vitórias por finalização em 20 (65%), além de oito lutas encerradas no primeiro round, e tempo médio de luta de 9:43. O ranking diz outra coisa. O brasiliense é o número 5 do meio-médio e não finaliza ninguém desde fevereiro de 2025. A tese deste texto: essa troca de mecânica não é um detalhe de estilo, é a razão pela qual ele virou candidato real ao cinturão — e será medida em 7 de novembro contra Sean Brady, o atleta com a melhor defesa de queda do top 10.

Três lutas sem finalização, e a melhor delas valeu mais

A última finalização de Bonfim foi o brabo choke sobre Khaos Williams, a 4min58 do segundo round, em fevereiro de 2025. Desde ali: decisão dividida sobre Stephen Thompson, em julho de 2025; nocaute no segundo round em Randy Brown, a 1min40, em novembro de 2025; e decisão unânime sobre Belal Muhammad em cinco rounds, em junho de 2026. Nenhuma finalização em três lutas — e a mais importante da carreira resolvida no placar.

Esse é o ponto. A vitória de 25 minutos sobre Belal, hoje o número 7, é um teste que um cartel de finalizações nunca tinha feito: Bonfim sustentando ritmo de luta principal contra um ex-campeão. Sua média de tentativas de finalização segue alta, 1,03 por 15 minutos, mas o que o levou ao top 5 foi a capacidade de ganhar round sem acabar com a luta — 4,76 golpes significativos por minuto, 47% de precisão e 65% de defesa de golpes.

Brady é exatamente o teste dessa mecânica nova

Brady, 19-2 e número 6, é o adversário menos conveniente possível para quem depende do chão. Ele defende 87% das quedas, a maior taxa entre os dez primeiros da categoria, e ainda ataca com 3,58 quedas por 15 minutos. Bonfim tenta 2,57 e defende 79%.

A projeção aritmética é reveladora. Aplicando a taxa de Bonfim contra a defesa de Brady, chega-se a cerca de 0,33 queda concretizada por 15 minutos. Aplicando a taxa de Brady contra a defesa de Bonfim, cerca de 0,75. Em outras palavras: nesta luta, o favorito a levar o combate ao solo é o americano, não o brasileiro — inversão que nenhuma leitura de cartel sugere. Some-se o tempo médio de 13:21 de Brady, contra 9:43 de Bonfim, e o desenho é de um combate longo, decidido por quem controla posição, não por quem pendura um estrangulamento.

A fila do meio-médio com dois brasileiros no top 5

O cinturão está com Islam Makhachev. Acima de Bonfim aparecem Ian Machado Garry (1), Carlos Prates (2), Michael Morales (3) e Jack Della Maddalena (4) — ou seja, o Brasil tem dois nomes no top 5, como já apontamos ao tratar do desafio de Prates no meio-médio. Prates ainda não tem luta marcada; Bonfim tem, e é contra o número 6.

Vencer Brady daria a Bonfim vitórias sobre o 6 e o 7 da divisão em cinco meses, currículo melhor que o de qualquer um entre o 4 e o 10. Perder, e o calendário de 2027 recomeça atrás. A luta principal acontece no Meta APEX, em Las Vegas, às 22h de Brasília de 7 de novembro, num card com forte presença brasileira; o resto da temporada está no calendário do UFC.

Fonte: UFC.com, ESPN.

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