O UFC 333 coloca dois cinturões em disputa no Etihad Arena, em Abu Dhabi, neste sábado (24), com card principal previsto para as 15h de Brasília. Alexander Volkanovski (28-4) defende o peso pena contra Movsar Evloev (20-0), e Petr Yan (20-5) encara Merab Dvalishvili (21-5) pelo cinturão do peso galo. A leitura que os números impõem é desconfortável para quem liga a TV esperando nocaute: somando as quatro lutas mais recentes de cada um dos quatro, 13 das 16 acabaram nos cartões dos juízes.
Treze decisões em dezesseis lutas
Evloev é o caso extremo. O russo de 32 anos está 10-0 dentro do octógono e, como aponta a ESPN, nunca finalizou um adversário no UFC. Suas quatro vitórias mais recentes — sobre Lerone Murphy, Aljamain Sterling, Arnold Allen e Diego Lopes — foram todas por decisão. Na carreira inteira, 13 das 20 vitórias (65%) vieram nos cartões. Yan tem padrão parecido: 12 das 20 vitórias por decisão (60%), e as quatro últimas, incluindo a conquista do cinturão sobre Dvalishvili em dezembro de 2025, todas por decisão unânime. Dvalishvili fecha o quadro com 16 decisões em 21 vitórias (76%), média de 5,97 quedas por 15 minutos e 4,42 golpes significativos conectados por minuto. Volume, não poder.
A consequência é direta: o peso pena e o peso galo podem trocar de dono sem que ninguém caia — mais um sintoma de um ano em que vários cinturões do UFC seguem sem defesa de título.
A trilogia Yan-Dvalishvili nunca passou dos cartões
A co-luta principal é a 20ª trilogia da história da organização, segundo levantamento da ESPN. Dvalishvili venceu o primeiro encontro em março de 2023 por decisão unânime em cinco rounds; Yan devolveu em dezembro de 2025, também por decisão unânime em cinco rounds, e levou o cinturão. São 50 minutos de luta entre os dois sem um único round encerrado antes do apito. Nada no histórico sugere que o terceiro capítulo seja diferente, e isso tem efeito prático para quem vai acompanhar a tarde de sábado: o vencedor sairá de um critério de pontuação, com todo o risco de polêmica que vem junto.
O único caminho para um nocaute
Os dois únicos nocautes dessa amostra de 16 lutas foram sofridos por Volkanovski, contra Islam Makhachev em outubro de 2023 e contra Ilia Topuria em fevereiro de 2024. O detalhe inverte a expectativa: se alguém for nocauteado em Abu Dhabi, a estatística aponta para o campeão, não para o desafiante invicto. O australiano tem 38 anos, faz sua 12ª luta de título no UFC e, pelo levantamento da ESPN Research, lutadores de 38 anos ou mais venceram 37% de seus combates na história da organização. Foi ele mesmo quem quebrou uma barreira em abril de 2025, ao se tornar o primeiro atleta acima de 35 anos a conquistar um cinturão do UFC em categoria abaixo das 170 libras.
O contraste com o evento anterior é brutal. No UFC 332, em 3 de outubro, o card bateu dois recordes: nove nocautes no primeiro round e 11 nocautes no total. Abu Dhabi caminha para o oposto. Para o público brasileiro, a vantagem é de horário: tudo acontece no meio da tarde. O duelo entre Iasmin Lucindo e Nicolle Caliari no peso palha abre o evento, e Daniel Santos (14-3) completa a lista de brasileiros das preliminares iniciais, contra o belga Bolaji Oki. O calendário do UFC traz os horários da sequência de fim de ano.
Fonte: UFC.com, ESPN.
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