[UFC] Pereira largou o cinturão dos meio-pesados e agora encara Pavlovich

Julien Josset | 23/10/2026 - 18:02

Alex Pereira (13-4) volta ao octógono em 12 de dezembro, na T-Mobile Arena de Las Vegas, contra o russo Sergei Pavlovich (21-3), em cinco rounds de peso pesado na co-luta principal do UFC 335. O brasileiro de 39 anos chega sem cinturão e sem luta de título à vista. Em fevereiro, devolveu o cinturão dos meio-pesados para perseguir um terceiro título de divisão, algo que ninguém jamais conseguiu no UFC. Em junho, perdeu a disputa do cinturão interino dos pesados para Ciryl Gane por nocaute técnico no segundo round. O saldo da operação, até aqui, é negativo.

O cinturão que ele deixou na mesa

A divisão que Pereira abandonou seguiu sem ele. Carlos Ulberg é o campeão dos meio-pesados, com Magomed Ankalaev e Jiří Procházka nas duas primeiras posições da fila. Pereira ainda aparece em terceiro no ranking de uma categoria em que não compete mais, e não figura no top 10 dos pesados, onde Gane é campeão, Tom Aspinall é o primeiro desafiante e Pavlovich o terceiro. É a definição de trajetória suspensa: dois rankings, nenhuma vaga concreta.

O histórico ajuda a medir o tamanho do que ele abriu mão. Pereira nocauteou Jiří Procházka em junho de 2024 e Magomed Ankalaev no primeiro round em outubro de 2025, resultados que o colocaram no centro dos meio-pesados. Esse crédito ele gastou inteiro na mudança de categoria.

Vinte e sete nocautes em trinta e quatro vitórias

A luta de dezembro tem um perfil estatístico raro. Pereira venceu 11 de suas 13 lutas por nocaute ou nocaute técnico — 85% — e não tem uma única finalização na carreira. Pavlovich venceu 16 de 21 pela mesma via, 76%. Somados, são 27 nocautes em 34 vitórias. Mais relevante: as derrotas recentes dos dois para pesados de elite vieram rápido e por golpe. Gane parou Pereira no segundo round, a 1min27; Tom Aspinall parou Pavlovich no primeiro round, a 1min09. E os dois sabem resolver cedo: a última vitória de Pavlovich foi um nocaute sobre o brasileiro Tallison Teixeira em 39 segundos, em 30 de maio de 2026.

A mecânica é simples e verificável: dois cartéis construídos no nocaute, nenhum dos dois com defesa comprovada contra potência de peso pesado, cinco rounds contratados. A chance de isso chegar aos cartões é pequena, e a janela de risco se concentra nos dez primeiros minutos.

O que uma segunda derrota custaria

Se perder, Pereira fecharia 2026 com duas derrotas em duas lutas na nova categoria, aos 39 anos, sem cinturão e fora do top 10 dos pesados. Pavlovich faz o caminho inverso: chega com três vitórias seguidas e 9-3 no UFC, e uma quarta o encosta na disputa contra Gane, que defende o cinturão unificado em novembro diante de Josh Hokit. O UFC 335 ainda terá Charles Oliveira (37-11) contra Diego Lopes (28-8) pelo cinturão BMF dos leves na luta principal e Brandon Moreno no peso mosca. O calendário do UFC traz as datas, e a seção de lutas e MMA acompanha as mudanças de categoria dos brasileiros.

Fonte: UFC.com, ESPN.

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