[UFC] O Brasil tem um cinturão em 11 divisões e 31% das vagas femininas

Julien Josset | 17/10/2026 - 19:36

O Brasil tem hoje um único cinturão do UFC: o peso-mosca feminino de Natalia Silva. Nas oito divisões masculinas, nenhum campeão é brasileiro — e o censo do ranking oficial mostra que a força do país migrou para o lado feminino.

17 vagas em 120 contra 14 em 45

A leitura do ranking oficial do UFC nesta manhã de sábado dá o seguinte quadro. Nas oito divisões masculinas, que somam 120 vagas de top 15, há 17 brasileiros: Alexandre Pantoja (nº 1 do mosca); Deiveson Figueiredo (12) e Raoni Barcelos (15) no galo; Diego Lopes (2), Jean Silva (5), Melquizael Costa (12) e Patricio Pitbull (14) no pena; Charles Oliveira (3), Mauricio Ruffy (8) e Renato Moicano (12) no leve; Carlos Prates (2) e Gabriel Bonfim (5) no meio-médio; Caio Borralho (5) e Gregory Rodrigues (7) no médio; Paulo Costa (6) no meio-pesado; Vitor Petrino (8) e Valter Walker (11) no pesado. A ESPN registra Diego Lopes com cidadania brasileira, ainda que ele compita pela bandeira do México.

Nas três divisões femininas com ranking, que somam 45 vagas, há 14 brasileiras. São 14,2% das vagas masculinas ocupadas pelo Brasil contra 31,1% das femininas: mais que o dobro.

Metade da presença feminina está no peso-palha

E essa presença é concentrada. Sete das 14 brasileiras rankeadas estão numa única divisão, o peso-palha: Virna Jandiroba (3), Denise Gomes (4), Alexia Thainara (9), Jéssica Andrade (10), Tabatha Ricci (11), Amanda Lemos (12) e Amanda Ribas (13) — sete das quinze vagas, quase metade da categoria. No mosca aparecem Karine Silva (11), Eduarda Moura (13) e Gabriella Fernandes (15), além da campeã; no galo, Norma Dumont (5), Luana Santos (7), Karol Rosa (10) e Bia Mesquita (11).

Do lado masculino nenhuma divisão passa de quatro brasileiros, e o pico é o peso-pena. O libra por libra confirma o desenho: o top 15 masculino tem um brasileiro, Pantoja, em 14º; o feminino tem três — Natalia Silva em 4º, Jandiroba em 11º e Denise Gomes em 14º. A ausência brasileira no topo das listas masculinas deixou de ser conjuntura e virou estrutura.

Sem campeão masculino desde fevereiro

As datas ajudam a entender. Pantoja perdeu o cinturão do mosca para Joshua Van por nocaute técnico aos 26 segundos do primeiro round, no UFC 323, em 6 de dezembro de 2025, e voltou a perder para o mesmo adversário por decisão unânime no UFC 331, em 19 de setembro deste ano. Alex Pereira, o outro brasileiro que segurou um cinturão no período, deixou vago o título dos meio-pesados para subir ao peso-pesado — a vacância foi noticiada no fim de fevereiro de 2026 — e perdeu para Ciryl Gane por nocaute técnico no segundo round, em 14 de junho.

Natalia Silva encerrou a seca em 3 de outubro: venceu Wang Cong por decisão unânime (48-47, 48-47 e 49-46) e conquistou o cinturão vago do mosca feminino, deixado por Valentina Shevchenko. A brasileira chegou a 21-5-1, com 15 vitórias seguidas, e já discute a primeira defesa.

A próxima chance tem data

A oportunidade seguinte de cinturão para o Brasil é feminina de novo: Amanda Nunes desafia Kayla Harrison pelo título dos galos no UFC 334, na virada de 14 para 15 de novembro, no Madison Square Garden. No mesmo card estão Caio Borralho e Bia Mesquita. Se o censo de hoje disser alguma coisa sobre o próximo ano, é por esse lado que o país volta à lista de campeões.

Fonte: UFC.com, ESPN.

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