O card do UFC em Edmonton, neste sábado, tem um combate que pesa mais na fila de um cinturão do que a própria luta principal. Erin Blanchfield (14-2), 4ª colocada do peso mosca feminino, enfrenta a canadense Jasmine Jasudavicius (15-4), 6ª, na luta coprincipal do Rogers Place. O card principal começa às 21h de Brasília e as preliminares às 18h, conforme a página do evento no UFC.com.
A tese está nas fichas das duas e é falsificável em um round: Jasudavicius só ganha se a luta deixar de ser uma luta em pé. Blanchfield acerta 5,24 golpes significativos por minuto; Jasudavicius, 3,47. São 51% a mais de volume para a americana, com a mesma precisão (44% para ambas) e uma defesa melhor — 59% contra 52% de golpes evitados. Em lutas que duram, na média, 13min37s para Blanchfield e 12min45s para a canadense, essa diferença de ritmo vira placar nos cartões.
O chão é o único caminho, e os números dele se contradizem
Jasudavicius tem quatro finalizações em 15 vitórias e uma média de 0,54 tentativa de finalização por 15 minutos. Blanchfield tem cinco finalizações em 14 vitórias, média de 0,86 e uma defesa de quedas de 78%. Para a canadense, derrubar não é um recurso: é o plano.
O problema é que a ficha dela no UFC.com apresenta dois dados incompatíveis sobre exatamente isso. A mesma página registra 2,63 quedas por 15 minutos e, ao lado, 3% de acerto nas quedas, com duas derrubadas em 63 tentativas. Duas quedas em toda a carreira não produzem média de 2,63 a cada 15 minutos. Não escolhemos entre os dois números: registramos a contradição como ela aparece na fonte oficial, porque é justamente o dado que decidiria a luta. A ficha de Blanchfield, por comparação, fecha: 21% de acerto, dez quedas em 47 tentativas, média de 1,96 por 15 minutos.
Onze meses parada e um ranking com dois números 6
Blanchfield não luta desde 15 de novembro de 2025, quando finalizou Tracy Cortez no segundo round, aos 4min44s. São onze meses de inatividade para uma atleta de 27 anos que, segundo a própria biografia no UFC.com, venceu 11 das últimas 12 lutas. Jasudavicius, de 37 anos, lutou mais recentemente: 18 de abril de 2026, decisão unânime sobre Karine Silva, 11ª colocada e nascida em Dourados. Antes disso, finalizou Jéssica Andrade com mata-leão no primeiro round, em maio de 2025. Ela venceu 11 das últimas 14, diz o UFC.com, e luta em casa — nasceu em St. Catharines, Ontário.
O ranking oficial atualizado em 10 de outubro tem uma anomalia aberta nesta divisão: Maycee Barber e Jasudavicius aparecem ambas na 6ª posição, e não existe 7ª colocada na lista. A entrada é recente. Valentina Shevchenko, que devolveu o cinturão em setembro por lesão, reapareceu como 1ª colocada e empurrou todas as outras uma casa para baixo — Blanchfield era 3ª no ranking de 3 de outubro. O UFC não publicou critério para isso.
O que a vencedora herda
Natalia Silva (21-5-1) ganhou o cinturão vago em 3 de outubro, no UFC 332, por decisão unânime sobre Wang Cong, e chega a esta semana com 15 vitórias seguidas e a 4ª posição no peso por peso feminino. A ESPN escreveu em 5 de outubro que, se Blanchfield passar por Jasudavicius sem sofrer dano, o UFC pode marcar a primeira defesa da brasileira contra ela em vez de esperar Shevchenko, que pode ficar fora por até um ano.
É aí que o combate de sábado deixa de ser detalhe de card. Se o volume de Blanchfield sobreviver aos onze meses de pausa, a divisão tem desafiante definida antes do fim do ano e Natalia Silva pode lutar já no primeiro semestre. Se Jasudavicius conseguir a queda que as estatísticas do UFC não sabem contar, a campeã brasileira volta à sala de espera. O calendário do UFC e o acompanhamento da divisão seguem atualizados por aqui.
Fonte: UFC.com, ESPN.
![[UFC] Blanchfield x Jasudavicius: o volume de golpes decide a fila do peso mosca](https://www.quintoquartobr.com/thumbor/xpB_xWE4CooDRE8VE__1yvrIP78=/1024x683/smart/filters:format(webp)/https%3A%2F%2Fmedia.quintoquartobr.com%2Fmain%2F2025%2F11%2Fimago1067564496.jpg)