Charles Oliveira é dono de três recordes do UFC ao mesmo tempo, e a ficha dele no site da empresa os coloca lado a lado: 17 finalizações, o maior número da história da organização; 21 lutas encerradas antes do tempo, também recorde; e 21 bônus de noite, igualmente o topo da lista. Soma-se a isso o segundo maior número de vitórias no UFC, 25. É um currículo que nenhum outro brasileiro tem e que quase ninguém, de qualquer nacionalidade, chega perto de alcançar.
Em 12 de dezembro, no UFC 335, ele defende o cinturão BMF contra Diego Lopes. E o ponto deste texto é o que esse combate não faz: ele não mexe na fila do cinturão de verdade.
86% das vitórias por finalização ou nocaute
O cartel é de 37-11. Pelo detalhamento do UFC.com, são 22 vitórias por finalização (59%), dez por nocaute ou nocaute técnico (27%) e cinco por decisão (14%). Ou seja, 32 das 37 vitórias terminaram antes dos cartões — 86%. A duração média das lutas dele é de 7min58s, e a média de tentativas de finalização chega a 2,59 por 15 minutos. O detalhe que fecha o retrato: das 22 finalizações, dez foram mata-leão, quatro anacondas e quatro guilhotinas.
Lopes chega com praticamente o mesmo perfil. O cartel é 28-8, com 12 nocautes (43%) e 12 finalizações (43%) — 24 das 28 vitórias por finalização, também 86% —, contra apenas quatro decisões. A duração média das lutas dele é de 11min34s. Aos 31 anos, nascido em Manaus, ele sobe de divisão pela primeira vez na carreira no UFC, segundo a ESPN: é o 2º colocado do peso pena no ranking de 10 de outubro e vai estrear no peso leve.
Dois brasileiros de nascimento, dois cartéis com índice de finalização idêntico, uma luta de cinco rounds. A estatística que importa não é quem bate mais: é que a chance de a luta ir aos cartões é, pelos históricos, baixa.
Por que o cinturão BMF não muda a fila
Oliveira tem 36 anos, segundo a ficha dele no UFC.com, e é o 3º colocado do peso leve. À frente dele estão Ilia Topuria (1º) e Arman Tsarukyan (2º), e o cinturão da divisão está com Justin Gaethje. O BMF é um troféu paralelo: vencer Lopes mantém Oliveira na vitrine e no topo das listas de bônus, mas não o coloca à frente de Topuria nem de Tsarukyan. Uma derrota, por outro lado, custa caro — abre espaço para Max Holloway, 4º, exatamente o atleta de quem Oliveira tirou o BMF por decisão unânime em cinco rounds no UFC 326, em 7 de março. A ESPN registrou que o retorno dele em 2026 foi adiado depois da morte do companheiro de equipe Allan Nascimento, lutador do peso mosca.
Duas contradições na fonte oficial
Duas ressalvas que o leitor merece ver, em vez de escolhermos por ele. A ficha de Oliveira no UFC.com marca a luta de junho de 2025 contra Topuria como “Win” no bloco de resultados, enquanto a biografia da mesma página diz que ele foi nocauteado no UFC 317; e a tabela de modos de vitória contabiliza cinco decisões, mas o histórico exibido lista quatro. Já a página de Lopes traz o cabeçalho “Lightweight Division” e, na própria descrição, o chama de lutador do peso pena, sem mostrar ranking algum. São inconsistências do UFC.com, e as reproduzimos como tais.
O resumo prático para dezembro: a luta principal do UFC 335 decide um cinturão de prestígio entre dois brasileiros, e o combate coprincipal do mesmo card decide uma posição real no ranking dos pesados. O card inteiro está no calendário do UFC, e a cobertura da divisão fica no hub de UFC.
Fonte: UFC.com, ESPN.
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