Prognósticos Buckley x Malott: UFC Edmonton

Julien Josset | 17/10/2026 - 10:07

O UFC volta a Edmonton neste sábado, 17 de outubro, pela primeira vez desde novembro de 2024, e o card do Rogers Place tem uma lógica clara: 12 canadenses entre os 26 lutadores escalados, um main event entre o nº 10 e o nº 13 do peso meio-médio e apenas um brasileiro. O card preliminar começa às 18h de Brasília; o principal, às 21h.

O prognóstico desta edição aponta para Mike Malott na luta principal, e a razão não é o apoio da torcida. É a conta das quedas: as duas únicas derrotas de Joaquin Buckley desde que subiu para o peso meio-médio vieram contra lutadores que o levaram ao chão e o mantiveram lá.

Buckley x Malott: a conta das quedas decide o main event

Buckley (21-8) emplacou seis vitórias seguidas na divisão, entre elas o nocaute sobre Stephen Thompson no terceiro round, em outubro de 2024, e a interrupção médica contra Colby Covington em dezembro do mesmo ano. Depois disso, duas derrotas por decisão unânime: Kamaru Usman em junho de 2025, em cinco rounds, e Sean Brady em maio de 2026, em três. Nas duas, o roteiro foi o mesmo — controle no solo.

Os números dele no octógono explicam a um só tempo por que continua perigoso e por onde é vulnerável: 36% de precisão nos golpes significativos (723 de 1.988) e 3,62 golpes significativos conectados por minuto. É o perfil de quem acerta pouco e machuca muito quando acerta. A defesa de quedas aparece em 70%, número que soa sólido até se lembrar de quem foram os dois últimos adversários.

Malott (14-2-1) chega com quatro vitórias consecutivas, série que começou no próprio Rogers Place: Trevin Giles por decisão unânime em novembro de 2024, Charles Radtke por nocaute técnico a 26 segundos do segundo round em maio de 2025, Kevin Holland por decisão unânime em outubro de 2025 e Gilbert Burns por nocaute técnico no terceiro round em abril de 2026, na sua estreia como protagonista de um card. Esta é a sexta luta seguida do canadense em solo canadense.

Malott não é Usman nem Brady na luta agarrada, e isso precisa ser dito: a média é de 1,63 queda por 15 minutos e 0,65 tentativa de finalização no mesmo intervalo. Mas ele conecta 4,02 golpes significativos por minuto com 48% de precisão, doze pontos percentuais acima de Buckley. A cadeia causal é essa: o canadense não precisa derrubar cinco vezes, precisa derrubar uma vez por round e obrigar Buckley a gastar cinco rounds levantando — exatamente o cenário em que o americano perdeu as duas últimas.

Prognóstico: Malott por decisão. O caminho de Buckley existe e é curto, um golpe só. Mas ele precisa acertá-lo antes do terceiro round.

Blanchfield x Jasudavicius e o alerta para o torcedor brasileiro

A co-luta principal coloca Erin Blanchfield (14-2), nº 4 do peso mosca feminino, contra Jasmine Jasudavicius (15-4), nº 6. A americana de 27 anos não luta desde 15 de novembro de 2025, quando finalizou Tracy Cortez com um mata-leão no segundo round. Estava escalada para o UFC 330, em agosto, e saiu por lesão: são onze meses de inatividade.

Para o leitor brasileiro, porém, o dado que importa é da canadense. Nas suas últimas cinco lutas, Jasudavicius enfrentou quatro brasileiras e venceu as quatro — Ariane da Silva por estrangulamento D’Arce no terceiro round em novembro de 2024, Mayra Bueno Silva por decisão unânime em fevereiro de 2025, Jéssica Andrade por mata-leão no primeiro round em maio de 2025 e Karine Silva por decisão unânime em abril de 2026. A única derrota no período foi para a francesa Manon Fiorot, por nocaute técnico a 1min14 do primeiro round, em outubro de 2025.

Blanchfield conecta 5,24 golpes significativos por minuto, contra 3,47 da canadense, e tem média de 1,96 queda e 0,86 tentativa de finalização por 15 minutos. O volume é dela. Prognóstico: Blanchfield, com a ressalva honesta de que onze meses parada costumam cobrar o primeiro round. A mecânica do volume de golpes nessa luta merece leitura à parte.

Jhonata Diniz: um ano parado e o único brasileiro do card

Jhonata Diniz (9-2), de Curitiba, 35 anos, fecha o card preliminar contra o canadense Tanner Boser (22-11-1) no peso pesado. É o único brasileiro entre os 26 lutadores escalados e, não por acaso, o nome mais difícil de prever da noite.

A biografia explica o porquê. Diniz chegou ao MMA pelo kickboxing, com 22 vitórias em 29 lutas e 15 nocautes, passou pelo GLORY — onde perdeu para Rico Verhoeven e Daniel Ghiță —, foi o primeiro campeão peso pesado do ACB Kickboxing, em 2016, e ganhou o torneio Tatneft Cup de 2021. No MMA venceu as oito primeiras, sete por nocaute ou nocaute técnico, seis delas no primeiro round.

Depois disso, o freio. Derrota para Marcin Tybura por interrupção médica no segundo round, no UFC 309, em novembro de 2024; vitória por decisão unânime sobre Alvin Hines no UFC 317; e, em 11 de outubro de 2025, no Rio de Janeiro, o nocaute técnico sofrido para Mário Pinto a 4min10 do segundo round. Desde então, nada — a luta contra José Luiz, marcada para junho de 2026, não aconteceu porque o brasileiro saiu do card. Diniz entra no octógono com 371 dias de inatividade.

O cruzamento de números é favorável a ele. Diniz acerta 56% dos golpes significativos e conecta 3,89 por minuto; Boser absorve 3,00 por minuto, conecta 4,82 e vem de um nocaute técnico sofrido para Gokhan Saricam no segundo round, em abril de 2026. São dois trocadores que já foram parados por golpes, e o brasileiro é o mais preciso dos dois. Boser, em compensação, mora em Bonnyville, a cerca de duas horas e meia de Edmonton, e luta no Canadá pela segunda vez neste ano.

Prognóstico: Diniz por nocaute, com a ressalva do ano parado. Se a luta passar do segundo round, o cenário vira para o lado do canadense.

O resto do card e os horários

O card principal ainda tem Kyle Nelson x Cristian Pérez no peso leve, Marc-Andre Barriault x Kyle Daukaus nos médios, Louis Jourdain x Timmy Cuamba nos galos e Mandel Nallo x Nate Landwehr nos leves. Nas preliminares, a canadense Melissa Croden, nº 15 do peso galo feminino, encara Chelsea Chandler.

  • Preliminares: 18h de Brasília
  • Card principal: 21h de Brasília
  • Local: Rogers Place, Edmonton, Alberta

Para quem for acompanhar, o calendário do UFC e a cobertura de UFC seguem atualizados. A composição deste card, com 12 canadenses em 26 lutadores, tem explicação própria.

Fonte: UFC.com, ESPN e Wikipédia (cartel de kickboxing de Jhonata Diniz), consultados em 17 de outubro de 2026.

Share your love