[UFC] Natalia Silva e a primeira defesa: esperar Shevchenko ou encarar Blanchfield

Julien Josset | 06/10/2026 - 08:10

Natalia Silva é a nova campeã peso mosca feminino do UFC, mas a conta da primeira defesa de cinturão já apareceu — e ela não é simples. Em artigo publicado nesta segunda-feira, 5 de outubro, a ESPN apontou Valentina Shevchenko como a adversária que a brasileira precisa enfrentar para encerrar qualquer discussão, e Erin Blanchfield como alternativa imediata caso a espera fique longa demais.

A luta que resolve a discussão

Silva conquistou o cinturão vago no UFC 332, no Delta Center, em Salt Lake City, com vitória por decisão unânime sobre a chinesa Wang Cong. O título estava sem dona porque Shevchenko abriu mão da faixa em setembro por causa de uma lesão não divulgada — e, segundo a ESPN, a ex-campeã deve ficar afastada por até um ano.

É justamente aí que mora o problema. Na avaliação da ESPN, a brasileira tem a maior sequência ativa de vitórias nos 125 libras e pode ser a melhor do mundo na categoria, mas “vai brigar com essa percepção até enfrentar Shevchenko”. O texto sustenta que o combate “precisa acontecer o mais rápido possível”, ainda que o prazo de recuperação da ex-campeã torne o cenário incerto.

O currículo recente de Silva reforça o argumento de quem defende que ela já provou o suficiente: nas três lutas anteriores ao título, bateu três ex-campeãs do UFC — Jessica Andrade, Alexa Grasso e Rose Namajunas. Aos 29 anos, ela se junta ao peso mosca masculino Joshua Van como os dois únicos campeões da franquia com menos de 30 anos.

Blanchfield, o curinga de 17 de outubro

A opção que a ESPN chama de curinga é Erin Blanchfield, número 3 do ranking oficial do UFC na divisão. A norte-americana estreou na organização em 2021, aos 22 anos, e acumula 8 vitórias e 1 derrota desde então — o único tropeço foi uma decisão em cinco rounds para Manon Fiorot, em 2024. Ela tem 27 anos e, na leitura da ESPN, “pode muito bem ser o futuro da categoria”.

Blanchfield, no entanto, tem compromisso marcado antes: enfrenta Jasmine Jasudavicius em 17 de outubro. Se passar incólume, a ESPN avalia que o UFC poderia fechar o duelo com Silva de imediato, em vez de esperar pela recuperação de Shevchenko.

O ranking oficial, atualizado em 3 de outubro, mostra o tamanho da fila: Grasso aparece em primeiro, Fiorot em segundo, Blanchfield em terceiro, Namajunas em quarto e Maycee Barber em quinto. Jasudavicius é a sexta e Wang Cong, derrotada no UFC 332, caiu para sétima. Entre as brasileiras, Karine Silva é a décima, Eduarda Moura a 12ª e Gabriella Fernandes a 14ª. No libra por libra feminino do UFC, Natalia Silva ocupa a quarta posição — atrás justamente de Shevchenko, que lidera a lista.

Um problema que não é só da divisão dos moscas

A ESPN enquadra o caso dentro de um cenário mais amplo e desconfortável para o UFC: as divisões femininas estão travadas. Não houve nenhuma disputa de cinturão no peso galo ao longo de todo o ano por causa das lesões de Kayla Harrison, e no peso palha a campeã Mackenzie Dern convive com a cobrança de encarar Zhang Weili, que deixou o título vago sem nunca tê-lo perdido no octógono. O roteiro do peso mosca, agora, é o mesmo: uma campeã legítima, com uma pendência herdada de quem saiu.

Para Silva, o lado prático é que qualquer das duas rotas mantém a brasileira no centro da pós-temporada simbólica da divisão. Acompanhe o calendário do UFC e o hub de UFC para os próximos anúncios, e releia a noite recorde do UFC 332 e o desafio feito por Wang Cong.

Fonte: ESPN.

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