[UFC] Basharat deixa o UFC invicto e o ranking do peso galo fica com 14 de 15

Julien Josset | 16/10/2026 - 15:47

Farid Basharat deixou o UFC invicto. O peso galo de 29 anos, 16-0 na carreira e 7-0 dentro do octógono desde 2023, confirmou na quinta-feira à ESPN que a empresa nunca lhe ofereceu um novo contrato nem um adversário depois da vitória de julho sobre John Garza. “Saio com um cartel impecável. Tenho a maior sequência ativa de vitórias da minha divisão e a quarta maior de todo o UFC”, escreveu ele no X, segundo a ESPN. “A organização simplesmente não é mais o que era.”

A leitura óbvia é a de um caso de injustiça. A leitura mais útil é outra: o cartel não é a variável que o UFC está lendo. O critério visível é o modo de encerrar lutas, e o número que descreve Basharat é duro — seis das sete vitórias dele no UFC vieram por decisão.

Seis decisões em sete lutas

A ficha no UFC.com detalha a carreira completa: uma vitória por nocaute (6%), seis por finalização (38%) e nove por decisão (56%). Dentro do UFC, a única luta que ele encerrou antes do tempo foi a estreia contra o brasileiro Kleydson Rodrigues, finalizado com um estrangulamento em triângulo de braço a 4min15s do primeiro round, em setembro de 2023. Depois vieram decisões sobre Taylor Lapilus, Victor Hugo, Chris Gutierrez, o brasileiro Jean Matsumoto (dividida) e Garza, além da unânime sobre Da’Mon Blackshear na chegada.

O resto dos números explica por quê. Basharat acerta 4,46 golpes significativos por minuto, absorve 3,24 e evita 61% dos golpes recebidos — perfil de lutador que controla sem machucar. A duração média das lutas dele é de 13min39s, praticamente o limite de uma luta de três rounds. A ESPN registrou que, somando as vitórias dele às do irmão Javid Basharat — que também deixou a empresa, com cartel positivo de 4-2 —, dez das onze conquistadas pelos dois no UFC vieram por decisão.

Há ainda um dado que a própria ficha oficial não fecha: o UFC.com informa 4% de acerto nas quedas, com três derrubadas em 69 tentativas, e ao mesmo tempo uma média de 3,57 quedas por 15 minutos. Três quedas em sete lutas de treze minutos e meio não chegam perto dessa média. É a mesma inconsistência que aparece em outras fichas da plataforma, e vale registrar em vez de escolher um dos dois números.

O ranking lista um lutador sem contrato

A consequência prática é mensurável. O ranking oficial atualizado em 10 de outubro ainda traz Basharat como 13º colocado do peso galo, enquanto a página dele no mesmo site já marca o status como “Not Fighting”. O top 15 da divisão, hoje, tem catorze atletas contratados e um que não está mais na empresa.

Quando o nome sair, a fila anda uma casa a partir do 14º lugar: Marcus McGhee passa a 13º e Raoni Barcelos, hoje 15º, vira 14º — o brasileiro que foi hospitalizado depois da derrota por nocaute técnico em setembro e cuja posição é a mais exposta do grupo. Acima dele, Deiveson Figueiredo segue 12º e falando em voltar ao peso mosca, o que abriria uma segunda vaga na mesma faixa do ranking.

O que isso diz para o lutador brasileiro

Três dos sete adversários que Basharat venceu no UFC eram brasileiros: Kleydson Rodrigues, finalizado na estreia dele em 2023; Victor Hugo, superado por decisão unânime em outubro de 2024; e Jean Matsumoto, em decisão dividida em fevereiro deste ano. As fichas no UFC.com marcam hoje Rodrigues e Victor Hugo como “Not Fighting” e Matsumoto como ativo: dois dos três saíram da empresa, não importando se perderam por finalização ou nos cartões. O recado para quem está entre o 10º e o 15º lugar de qualquer divisão é o que o caso Basharat torna explícito: estar invicto e ranqueado não garante renovação se as vitórias chegarem quase todas por decisão. No peso galo, o Brasil ocupa o 12º e o 15º lugares do top 15, as duas posições mais sensíveis a esse critério. Acompanhe a divisão no hub de UFC e as datas no calendário do UFC.

Fonte: ESPN, UFC.com.

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