[UFC] Jasudavicius bateu seis brasileiras; a sétima é a campeã Natalia Silva

Julien Josset | 24/10/2026 - 18:06

Jasmine Jasudavicius venceu Erin Blanchfield por decisão unânime em 17 de outubro, em Edmonton, e assumiu o nº 4 do peso-mosca feminino. O detalhe que nenhum anúncio conta: ela já enfrentou sete brasileiras no UFC, venceu seis e perdeu apenas para Natalia Silva, hoje campeã da divisão.

Seis vitórias sobre brasileiras, uma derrota

A lista, pelo registro do UFC: Gabriella Fernandes (fevereiro de 2023, decisão), Priscila Cachoeira (janeiro de 2024, estrangulamento anaconda no terceiro round), Ariane da Silva (novembro de 2024, D’Arce no terceiro), Mayra Bueno Silva (fevereiro de 2025, decisão), Jéssica Andrade (maio de 2025, mata-leão a 2min40 do primeiro round) e Karine Silva (abril de 2026, decisão). Desde a estreia no UFC, em janeiro de 2022, Jasudavicius construiu o ranking dela em cima da base brasileira da categoria.

A exceção é a primeira luta de todas. Em 18 de junho de 2022, na estreia de Natalia Silva no UFC, a brasileira venceu Jasudavicius por decisão unânime em três rounds. Foi o começo de uma sequência que hoje está em 15 vitórias e terminou com o cinturão: em 3 de outubro, no UFC 332, Silva (21-5-1) bateu Wang Cong por decisão unânime em cinco rounds e ficou com o título que Valentina Shevchenko havia deixado vago por lesão.

A mecânica da revanche: quedas contra 90% de defesa

O jeito como Jasudavicius venceu Blanchfield é o argumento central da fila. Ela acertou cinco quedas, acumulou quase oito minutos de controle e levou os três cartões por 29-28, mesmo tendo sido superada em golpes significativos, 62 a 43. É grappling puro: a média dela no UFC é de 2,82 quedas por 15 minutos e, aos 37 anos, é o plano que ela domina.

Esse plano colide com o número que sustenta o reinado de Silva: 90% de defesa de queda. A brasileira de Timóteo (MG), 29 anos, acerta 4,72 golpes significativos por minuto com 46% de precisão e vence andando para trás, ditando distância. Se a tese de Jasudavicius é levar a campeã ao chão, ela precisa furar a estatística mais sólida da adversária. É uma hipótese falsificável, e é isso que torna a revanche interessante, a própria canadense já pediu o confronto depois da vitória em Edmonton.

A fila travada favorece justamente ela

O topo do ranking não resolve o problema. Shevchenko é nº 1 e segue em recuperação da lesão que a tirou do cinturão, sem previsão de retorno. Alexa Grasso, nº 2, já perdeu para Silva por decisão unânime no UFC 315, em maio de 2025. Manon Fiorot, nº 3, nocauteou Jasudavicius no primeiro round em outubro de 2025 e seria a candidata natural, mas não tem luta marcada. Blanchfield caiu para nº 5 e perdeu a sequência de duas vitórias.

Sobra a nº 4, com a narrativa pronta e o único argumento técnico diferente dos demais. E sobra um dado que mede o tamanho do problema brasileiro na categoria: além da campeã, há três brasileiras entre as 15 ranqueadas: Karine Silva (nº 11), Eduarda Moura (nº 13) e Gabriella Fernandes (nº 14), e duas delas já perderam para Jasudavicius. A fila do peso-palha está igualmente embolada, e o calendário do UFC ainda não tem data para nenhuma das duas disputas de cinturão.

Fonte: UFC.com, ESPN.

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