Alexandre Pantoja (30-7) é o nº 1 do peso mosca masculino no ranking oficial do ufc.com atualizado em 10 de outubro, e é também o único brasileiro no top 15 da categoria. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo que uma terceira: ele não tem fila. O campeão Joshua Van já o venceu duas vezes, e nenhuma organização vende uma trilogia em que o desafiante perdeu as duas primeiras.
É esse o buraco em que o brasileiro de 36 anos está: a posição vale ranking, não vale luta de cinturão. E o desafiante seguinte de Van pode sair do card do próximo sábado 24, em Abu Dhabi.
O nº 1 que não tem para onde ir
Pantoja fez quatro defesas na primeira passagem com o cinturão — Brandon Royval no UFC 296, Steve Erceg no UFC 301, Kai Asakura no UFC 310 e Kai Kara-France no UFC 317 — antes dos dois encontros com Van. No UFC 323, em 6 de dezembro de 2025, a luta acabou em 26 segundos por nocaute técnico decorrente de lesão. No UFC 331, em 19 de setembro, foram cinco rounds completos e decisão unânime para o campeão.
A ESPN foi direta sobre a consequência. Brett Okamoto escreveu, no balanço do UFC 331, que Pantoja sobrou “na posição ingrata de defender seu lugar no ranking com pouca chance de conseguir outra disputa de cinturão no curto prazo”, e sugeriu Asu Almabayev como próximo adversário, com Lone’er Kavanagh como alternativa.
A conta que explica a pressa
Os números dizem por que esperar é caro. Pantoja acerta 4,54 golpes significativos por minuto e absorve 4,23 — um saldo de apenas +0,31 —, com 51% de precisão e 48% de defesa de golpes, o tipo de perfil que funciona à base de ritmo e volume, não de esquiva. O tempo médio de luta dele é de 12min37, e a arma que sustentou o reinado é o chão: média de 0,88 finalização por 15 minutos, com os mata-leões em Asakura e Kara-France como prova.
A cadeia é simples: um lutador de 36 anos que absorve quase tanto quanto acerta não tem 18 meses para gastar defendendo uma posição. Cada luta de manutenção contra um nome como Almabayev, que a ESPN descreve como 7-1 no UFC e sem apelo comercial à altura, oferece risco alto e ganho baixo. É a definição de combate que não paga o que cobra.
Por que o UFC 333 importa para quem acompanha do Brasil
No card principal de Abu Dhabi, Lone’er Kavanagh (nº 6) enfrenta Ramazan Temirov (nº 10). O inglês de 27 anos vem da derrota para Royval, mas chamou atenção ao bater Brandon Moreno no México, e disse à ESPN nesta semana que “a divisão dos moscas é a melhor divisão no momento” e que ela “está sempre mudando”. A reportagem de Aiman Khalid, publicada nesta quinta-feira, lembra que duas derrotas seguidas o jogariam para baixo na ordem — e que uma vitória o coloca na conversa pelo cinturão, à frente do brasileiro que hoje está, no papel, acima dele.
Para o torcedor daqui, o resultado do dia 24 define o que resta a Pantoja: se Kavanagh vencer, o UFC ganha um desafiante novo e o brasileiro vira adversário de teste para quem sobe; se perder, a fila atrás de Van fica com Manel Kape e Royval, e Pantoja mantém o nº 1 mais caro do ranking. O histórico recente da divisão está na revanche do UFC 331 e no balanço dos brasileiros no ranking oficial. As datas seguintes ficam no calendário do UFC.
Fonte: UFC.com, ESPN.
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