[UFC] Natalia Silva perdeu a desafiante mais perigosa e ganhou Jasudavicius

Julien Josset | 18/10/2026 - 13:37

Duas semanas depois de Natalia Silva conquistar o cinturão vago do peso-mosca feminino no UFC 332, a fila da primeira defesa foi redesenhada em Edmonton — e não na direção do roteiro. Jasmine Jasudavicius venceu Erin Blanchfield por decisão unânime no co-main event de sábado, subiu no ranking e pediu a brasileira ainda dentro do octógono.

A ESPN tinha dois nomes para a primeira defesa. Um deles caiu

Em 5 de outubro, ao projetar os próximos passos dos protagonistas do UFC 332, a ESPN colocou Valentina Shevchenko como adversária ideal para Silva e Blanchfield como alternativa, com uma condição explícita: se ela passasse por Jasudavicius sem sustos, o UFC poderia marcar a luta com a campeã de imediato, em vez de esperar Shevchenko. Blanchfield não passou. Perdeu nos três cartões por 29-28, caiu para 14-3 e segue em 4º lugar no ranking oficial do UFC.

Shevchenko, que entregou o cinturão em setembro por lesão, continua como primeira colocada da divisão e já avisou que volta. “Bem merecido, Natalia, parabéns. Mas não se acomode: mantenha o cinturão quentinho, estou chegando para buscar o que é meu”, escreveu na rede social X, em texto reproduzido pela ESPN. Sem data para esse retorno, a vaga de desafiante fica em disputa — e Jasudavicius subiu uma posição no ranking do UFC, ao 6º lugar, com a segunda vitória seguida e cartel de 16-4.

Jasudavicius venceu no chão, exatamente onde Silva quase não cede

O caminho da canadense para a vitória foi a luta agarrada, não a trocação. Ela tentou 13 quedas e acertou cinco, acumulou 7min59 de tempo de controle contra 14 segundos de Blanchfield e ameaçou três finalizações, segundo os dados por luta da ESPN. A americana ganhou a conta dos golpes significativos (62 a 43) e perdeu a luta de todo modo: quem ditou a posição levou os cartões. Blanchfield era a mais bem classificada do confronto entre duas lutadoras do top 10 do peso-mosca (veja a prévia do combate) e saiu dele sem a posição que buscava na fila.

E é justamente aí que a conta fica desfavorável para a nova desafiante. A ficha de Natalia Silva no UFC.com registra 90% de defesa de quedas e 4,72 golpes significativos conectados por minuto. Uma adversária cujo plano A é levar a luta ao solo encara a campeã mais difícil de derrubar da divisão. E há precedente direto: em 18 de junho de 2022, na estreia de Silva no UFC, a brasileira venceu Jasudavicius por decisão unânime em três rounds.

“Quero cruzar o caminho da Natalia Silva outra vez. Nós já temos um pouco de história, seria uma história épica”, disse Jasudavicius, em declaração publicada pela ESPN.

O que muda para a campeã brasileira

Silva, nascida em Timóteo (MG), chegou ao cinturão com cartel de 21-5-1, nove vitórias em nove lutas no UFC e 15 triunfos seguidos somando toda a carreira. Bateu Wang Cong por decisão unânime no UFC 332, com dois juízes em 48-47 e o terceiro em 49-46. A primeira defesa ainda não tem data no calendário do UFC.

O saldo de Edmonton para ela, em uma frase: a fila perdeu a desafiante de 27 anos que vinha de duas vitórias e é a 9ª do ranking peso por peso feminino da ESPN, e ganhou uma de 37 anos que a campeã já venceu e cujo melhor recurso bate de frente com os seus 90% de defesa de quedas. Entre as brasileiras com cinturão no UFC, é o tipo de reconfiguração que costuma adiar a luta de validação — no caso dela, Shevchenko. Vale cruzar com o mapa atual dos brasileiros nos rankings.

Fonte: UFC.com, ESPN.

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