Valter Walker chegou ao 11º lugar do ranking dos pesados sem enfrentar um único adversário que esteja hoje no top 15, e a próxima luta dele precisa responder se o atalho das chaves de calcanhar resiste aos dez primeiros da divisão. Aos 28 anos, o irmão mais novo de Johnny Walker, que faz a luta principal do UFC Fight Night de 7 de novembro, tem cartel de 16 vitórias e uma derrota.
A única derrota da carreira veio por decisão unânime para Lukasz Brzeski, em abril de 2024. Desde então, o brasileiro empilhou cinco vitórias no UFC, todas por finalização no primeiro round, quatro delas com chaves de perna.
Cinco lutas, dez minutos e três segundos
Segundo o UFC.com, a sequência começou com uma chave de calcanhar em Junior Tafa aos 4min56 no UFC 305, em agosto de 2024. Don’Tale Mayes levou a mesma chave aos 1min17, em fevereiro de 2025, e Kennedy Nzechukwu foi finalizado aos 54 segundos, em julho de 2025. Vieram depois outra chave de calcanhar, em Louie Sutherland, aos 1min24 no UFC 321, em outubro de 2025, e uma chave de panturrilha em Thomas Petersen aos 1min32, em julho deste ano. Somadas, as cinco lutas duraram 10min03.
Em toda a passagem pelo UFC, Valter acertou 48 golpes significativos em 91 tentativas e tem defesa de golpes de 43%, a mais baixa entre os índices dele. É uma amostra curta demais para dizer qualquer coisa sobre a luta em pé. Ninguém ainda conseguiu manter o brasileiro na trocação tempo suficiente para testar esse ponto. A média de tempo por luta, de 4min11, já inclui os 15 minutos da derrota para Brzeski.
Nas quedas, o desenho também é atípico. São quatro quedas certas em 13 tentativas, mas média de 3,59 tentativas de finalização a cada 15 minutos. Para chegar às pernas do adversário, ele raramente depende de uma queda limpa e prefere a entrada direta, um recurso pouco comum na divisão.
O teste que falta
Vitor Petrino, oitavo colocado e o brasileiro mais bem ranqueado da divisão, nocauteou Thomas Petersen no terceiro round em outubro de 2025, enquanto Valter precisou de 1min32 para finalizar o mesmo americano. Petersen volta ao octógono no sábado, contra o brasileiro Gabriel Lorenco, no card preliminar.
Logo acima de Valter estão Ante Delija, em décimo, Serghei Spivac, em nono, e o próprio Petrino. Spivac perdeu para Petrino por decisão em agosto. O UFC.com não lista a próxima luta de Valter, e a divisão vive um momento de rearranjo: Ciryl Gane defende o cinturão contra Josh Hokit no UFC 334, e Alexander Volkov e Sergei Pavlovich seguem no topo da fila, como mostramos na análise do peso-pesado depois do UFC 333.
Contra um rival ranqueado, Valter vai precisar chegar às pernas antes de ter de trocar golpes. Um top 10 com boa defesa de quedas e paciência para lutar de longe vai obrigá-lo a mostrar o que os 91 golpes tentados ainda não mostraram. Se a chave entrar de novo, ele pula para a parte de cima da tabela. Se a luta passar do primeiro round, entra num território sem nenhum dado no UFC. O irmão Johnny, que estreou entre os pesados em outubro, tenta no sábado entrar na mesma lista, e o resultado pode ser acompanhado na nossa cobertura do UFC.
Fonte: UFC.com.
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