[UFC] Gane defende o cinturão dos pesados contra Hokit, invicto com 10-0

Julien Josset | 15/10/2026 - 12:46

O UFC 334 já tem data, casa e um problema aritmético. No sábado 14 de novembro, no Madison Square Garden, Ciryl Gane (14-2) faz a primeira defesa como campeão absoluto dos pesos pesados contra Josh Hokit (10-0), invicto e com apenas quatro lutas no plantel principal do UFC. A ESPN informou em 20 de setembro, em texto de Brett Okamoto, que a organização promoveu o francês de campeão interino a campeão absoluto depois de Tom Aspinall abrir mão do cinturão por um problema persistente no olho — Aspinall, inclusive, segue listado como nº 1 da divisão no ranking oficial do ufc.com atualizado em 10 de outubro.

A tese deste texto está nas fichas dos dois, e é falsificável: Hokit é o pesado mais perigoso da divisão nos dez primeiros minutos e o mais exposto a partir dali.

A conta dos dez primeiros minutos

Hokit acerta 9,29 golpes significativos por minuto, com 65% de precisão (336 acertos em 519 tentativas), segundo a ficha do ufc.com. É quase o dobro do campeão, que acerta 5,40 por minuto. Nas dez vitórias dele há seis nocautes técnicos, três finalizações e um único resultado por decisão: a vitória unânime sobre Curtis Blaydes, no UFC 327, em 11 de abril. Seis vitórias vieram no primeiro round e o tempo médio de luta é de 7min14. Em junho, o americano de 28 anos, ex-jogador de futebol americano em Fresno State, nocauteou Derrick Lewis no segundo round.

O perfil é de quem resolve em pé: 63% dos golpes significativos saíram da distância, 15% no clinch e 22% no chão, e 91% foram no rosto. A mesma página traz dois números de queda que não se conciliam — um aproveitamento de 5% (uma queda em 19 tentativas) e uma média de 3,73 quedas por 15 minutos —, então o que sobra de confiável é o retrato: Hokit vence batendo, não controlando.

Por que o relógio trabalha para Gane

Gane vive do oposto. Tem 13 minutos de tempo médio de luta, 61% de defesa de golpes e absorve apenas 2,31 golpes significativos por minuto, contra 5,28 absorvidos por Hokit, que defende 49%. Projetados em 25 minutos no ritmo médio de cada um, são cerca de 132 golpes significativos encaixados no desafiante e 58 no campeão. Hokit nunca precisou administrar essa conta: em dez lutas, nunca passou de três rounds.

A porta que o campeão deixa aberta é outra, e é real: a defesa de quedas de Gane é de 47%, o pior número da ficha dele, e foi num chão imposto por Jon Jones que ele perdeu em 2023, por finalização no primeiro round. Só que o caminho mais curto para tirar o cinturão do francês é exatamente o que Hokit não usa.

O que o card vale para o Brasil

Gane chegou ao cinturão interino nocauteando Alex Pereira no segundo round, em junho, no card que o UFC realizou na Casa Branca. Poatan reaparece no peso pesado em 12 de dezembro, no UFC 335, contra Sergei Pavlovich — e uma vitória dele ali reabriria a conversa que terminou em junho. No próprio Madison Square Garden, o card traz ainda o retorno de Amanda Nunes contra Kayla Harrison pelo cinturão dos galos femininos e a volta de Caio Borralho no peso médio. O calendário completo está no calendário do UFC, e as atualizações da divisão ficam na cobertura de UFC.

Para o espectador daqui, a leitura prática é de relógio: se Hokit não resolver antes do terceiro round, a luta vira o tipo de combate longo que Gane já venceu contra Alexander Volkov, por decisão dividida, em dezembro de 2024.

Fonte: UFC.com, ESPN.

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