Falando de Paris ao programa “NFL Daily”, na cidade onde a liga joga pela primeira vez neste domingo, Roger Goodell repetiu o alvo: “Tóquio está claramente na nossa lista, seja no ano que vem ou no seguinte. Vai acontecer em algum momento num futuro próximo.” O vice-presidente de operações internacionais, Peter O’Reilly, disse na mesma semana que a liga estuda chegar a dez jogos fora dos Estados Unidos em 2027 e que a Ásia está entre as “novas regiões” consideradas.
A temporada 2026 já é recorde: nove partidas fora do país — três em Londres e uma cada em Melbourne, Rio de Janeiro, Paris, Madri, Munique e Cidade do México. A tese deste texto é que, para o torcedor brasileiro, o que importa nessa expansão não é o mercado novo. É o relógio.
A conta que Melbourne já fez
Na semana 1, 49ers e Rams jogaram no Melbourne Cricket Ground às 10h35 de uma sexta-feira, horário local, com cerca de 100 mil pessoas nas arquibancadas — Goodell citou o número como o que “abriu novas possibilidades”. Em Brasília, aquele jogo começou às 21h35 de quinta-feira, 10 de setembro. Um jogo da NFL em pleno horário nobre de dia de semana: algo que o calendário americano simplesmente não produz.
O Japão está sempre 12 horas à frente de Brasília, porque nenhum dos dois países usa horário de verão. Logo, a aritmética é fixa: um início às 10h30 de domingo em Tóquio equivale a 22h30 de sábado no Brasil; às 13h, equivale a 1h de domingo. Compare com o bloco europeu, que é o único que o torcedor daqui conhece: Steelers e Saints começam em Paris às 10h30 de domingo, os três jogos de Londres começaram todos às 10h30, e Madri e Munique, em novembro, ficam às 11h30. Todos empurram a NFL internacional para a manhã de domingo.
Rio foi uma escolha, não um endereço fixo
O Brasil teve o seu jogo nesta temporada: Ravens e Cowboys no Maracanã, em 27 de setembro, às 17h25 de Brasília. A forma como Goodell descreveu a decisão — “este ano fomos ao Rio em vez de São Paulo” — diz o que o torcedor daqui deve guardar: o Brasil está no rodízio internacional, mas a cidade é definida temporada a temporada, não garantida.
Tóquio seria estreia em jogo oficial. A liga disputou 14 partidas de pré-temporada no Japão entre 1976 e 2005, todas menos uma na capital, e a última foi Falcons x Colts em agosto de 2005. Hoje os Rams são a única franquia com direitos de marketing no Japão pelo Global Markets Program, o que os deixa como candidato natural a uma das vagas.
O que acompanhar daqui para frente
Se a liga de fato subir para dez jogos internacionais em 2027, a vaga extra é a que vale observação. Um horário asiático seria o primeiro jogo da NFL fora dos Estados Unidos que não exige acordar cedo no Brasil — e o primeiro que cabe num sábado à noite, sem concorrer com o bloco de domingo. Até lá, nada muda: a tabela mantém a manhã europeia e a tarde americana, e quem quiser se organizar tem o acompanhamento da temporada por aqui.
Fonte: ESPN, NFL.com.
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