Lawrence McCutcheon morreu nesta sexta-feira, aos 76 anos. A família anunciou a morte por meio dos Los Angeles Rams e citou “uma longa e corajosa batalha contra o mal de Parkinson”. Draftado em 1972 vindo de Colorado State, apelidado de “Clutch”, ele passou oito das dez temporadas de carreira em Los Angeles, foi cinco vezes Pro Bowl, escolhido para o segundo time do All-Pro em 1974 e disputou 11 jogos de pós-temporada. No Super Bowl de janeiro de 1980 chegou a lançar um passe para touchdown de Ron Smith, que pôs os Rams à frente antes da reação do Pittsburgh. Quando deixou o clube, em 1980, era o maior corredor da história da franquia. Depois virou dirigente: 32 anos no front office, diretor de elenco (player personnel) dos Rams de 2003 até se aposentar em 2016.
Cinco temporadas seguidas: a estatística que envelheceu
A linha mais reveladora do obituário é também a mais discreta: McCutcheon liderou os Rams em jardas terrestres em todas as temporadas de 1973 a 1977. Dito assim parece modesto. Não é. Essa frase pressupõe três coisas que a NFL de 2026 quase nunca entrega ao mesmo tempo: um corredor que recebe a grande maioria das corridas, que fica inteiro a temporada toda e que mantém a função por cinco anos.
Na série que montamos com os dados de equipe da ESPN, a mediana da liga em 2026 é de 26,2 corridas por jogo, e quase nenhum time concentra esse volume num homem. Até quem corre muito distribui: o Chicago lidera com 35,1 corridas por partida e reparte entre vários nomes. A exceção virou notícia justamente por ser exceção — Jonathan Taylor responde por cerca de 73% do jogo terrestre dos Colts, e isso hoje soa anômalo. Nos Rams de Chuck Knox era o padrão.
O caso dos Giants é o oposto exato
Nova York é a demonstração ao vivo do que mudou. Em seis jogos os Giants usaram quatro running backs, desistiram do arranjo e dispensaram Najee Harris na terça-feira; o treinador John Harbaugh admitiu que quatro eram demais e que ninguém “assumiu as rédeas”. Os números explicam a impaciência: os corredores do time somam 2,4 jardas por corrida, segundo a ESPN, e a equipe inteira tem 167 corridas para 629 jardas (3,77 de média) com apenas dois touchdowns terrestres em seis jogos — só o Pittsburgh, com um, tem menos na liga.
Cam Skattebo, o líder de corridas da equipe com 81 tentativas para 294 jardas (3,6) e um touchdown, cometeu cinco fumbles em 13 jogos de carreira, caiu para seis snaps numa partida depois de uma média de 42 e volta ao revezamento no domingo contra uma defesa de Houston que é a terceira melhor da liga contra a corrida. “Ninguém está seguro, é simples assim”, disse ele. McCutcheon teve a mesma função por cinco anos; Skattebo perdeu e recuperou a dele em sete dias.
Não é nostalgia: é economia de desgaste. A posição foi reprecificada porque o corpo de um corredor é o ativo que deprecia mais rápido, e os clubes passaram a comprar volume em vez de nomes. O efeito colateral é que a identidade terrestre de uma franquia deixou de ter dono.
A outra notícia da semana
Na quarta-feira, Marshall Faulk contou no podcast “The Caring Neurologist” que foi diagnosticado com Parkinson há 18 meses. Faulk tem 53 anos, está no Hall da Fama desde 2011 depois de 12 temporadas por Colts e Rams e hoje é técnico da Southern University. Disse que a rigidez nas mãos e alguns tremores são controlados por medicação e que falou do assunto porque “quero ajudar o máximo de pessoas possível”. Não há relação causal estabelecida entre a posição e a doença, e nenhuma das duas notícias afirma isso. Mas em uma única semana os dois corredores mais emblemáticos da história dos Rams colocaram a mesma palavra no noticiário da liga.
Fonte: ESPN, NFL.com.
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