[NFL] Com Lamar Jackson, Ravens fazem 8,3 pontos por quarto; sem ele, 4,0

Julien Josset | 24/10/2026 - 05:57

Lamar Jackson caminhou com dificuldade até o microfone depois do treino de sexta-feira e não se comprometeu com nada. O duas vezes MVP está oficialmente como dúvida para o jogo de domingo contra o Cincinnati Bengals, às 14h de Brasília em Baltimore, e disse que a decisão passa por tolerância à dor. A entorse alta no tornozelo esquerdo, sofrida há 19 dias contra o Tennessee, desinchou bastante, mas ainda dói quando ele tenta fixar o pé no chão.

A pergunta interessante não é se ele joga. É o tamanho medido da diferença que ele faz — e por que, justamente contra Cincinnati, essa diferença é a maior de todas.

Metade do ataque, com os mesmos onze

Os números que a ESPN levantou permitem uma conta simples. Nos 14 quartos que Jackson disputou em 2026, os Ravens somaram 116 pontos e 14 touchdowns de ataque. Nos 10 quartos com Tyler Huntley, foram 40 pontos e quatro touchdowns. Normalizando: 8,3 pontos e exatamente um touchdown por quarto com Jackson, contra 4,0 pontos e 0,4 touchdown sem ele. Não é um ataque pior. É um ataque pela metade.

E a explicação não está no jogo terrestre. Na série que montamos com os dados de equipe da ESPN, Baltimore é o segundo time que mais corre na liga: 30,8 corridas por jogo, 4,91 jardas por corrida e 151,5 jardas terrestres por partida, com nove touchdowns no chão em seis jogos. Esse pedaço da ofensiva segue de pé sem o titular. O que desaparece é o resto: a ameaça de o quarterback sair do bolso, as primeiras descidas que ele conquista com as pernas e a eficiência na zona vermelha. Daí o corte pela metade.

O adversário em que o recorte é mais brutal

Desde que Jackson assumiu a titularidade, na metade de 2018, Baltimore tem 11 vitórias e duas derrotas sobre os Bengals com ele em campo, com 24 touchdowns e seis interceptações nesses jogos. Sem ele, no mesmo período, o registro é de três derrotas em três partidas, incluindo pós-temporada, por margem média de 12 pontos. Nenhum adversário separa tanto os dois Ravens possíveis.

O perfil do Cincinnati de 2026 (3-2) ajuda a entender por quê: é um time que vive do passe. São 260 jardas líquidas aéreas por jogo contra apenas 82,8 jardas terrestres, 3,63 por corrida e dois touchdowns no chão em cinco partidas. Um jogo de muitos pontos favorece quem tiver o melhor ataque aéreo em campo — e, sem Jackson, esse time não é Baltimore.

O precedente de 2025 pesa contra a pressa

Jackson foi quem trouxe o assunto. No ano passado ele perdeu três jogos com lesão no posterior da coxa, voltou antes da hora e, segundo ele mesmo, nunca mais ficou inteiro. “Acho que foi meio burro, porque eu ainda estava sentindo dor”, disse na sexta-feira. O risco físico também é mensurável: os Ravens cederam 14 sacks em seis jogos, 2,3 por partida, e foi exatamente num sack que o tornozelo cedeu contra o Tennessee.

O treinador Jesse Minter falou em decisão na hora do jogo; se Jackson ficar de fora, Huntley será titular pela terceira semana seguida. O contexto da conta é este: com 4-2, Baltimore está empatado com Cleveland e Pittsburgh no topo da divisão Norte da AFC, e o calendário restante empilha duelos internos. Cada jogo de divisão disputado a 4,0 pontos por quarto sai caro em dezembro.

Fonte: ESPN, NFL.com.

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