Na sexta-feira o Chicago Bears colocou Cole Kmet na lista de lesionados pelo resto da temporada: exames na manhã seguinte à vitória de 30 a 24 sobre o New England confirmaram uma lesão grave no joelho direito, sofrida a 5min46s do quarto período. No mesmo dia, o Indianapolis Colts descartou Tyler Warren pela segunda partida seguida por uma lesão na virilha que já o havia tirado de campo na pré-temporada, e Sam LaPorta voltou a falar em público da negociação travada com o Detroit Lions.
A tese é simples: as três notícias precificam o mesmo bem invisível. O valor de um tight end quase não aparece na coluna de recepções — e é exatamente por isso que ele é caro de substituir e difícil de pagar.
O snap que não aparece na súmula
Kmet tinha 10 recepções para 87 jardas e um touchdown em sete jogos. Pela ficha de recebedor, nada. Pela ficha de uso, muito: 62,19% dos snaps ofensivos, o oitavo maior volume do ataque de Chicago. E o ataque de Chicago é o mais terrestre da liga. Na série que montamos com os dados de equipe da ESPN, os Bears lideram em corridas por jogo com 35,1, bem à frente de Baltimore (30,8) e contra uma mediana de 26,2 entre os 32 times; são 1.080 jardas no chão, 4,39 por corrida e 14 touchdowns terrestres em sete partidas, número que empata no topo da NFL.
Esse jogo corrido sai de formações pesadas, com dois e três tight ends, que Chicago usa mais do que quase todo mundo. O que Kmet entregava era o bloqueio que torna essas formações críveis, não a recepção. O treinador Ben Johnson garante que nada muda e que Colston Loveland e o novato Sam Roush foram treinados para fazer todas as funções. Há um teste falsificável nisso: se as 35,1 corridas por jogo e as 4,39 jardas por corrida resistirem nas próximas três semanas, Johnson está certo; se a média por corrida cair, o esquema pesado dependia de um homem só.
Três ausências, três consequências diferentes
Em Indianápolis o problema é de estoque. Sem Warren, o reserva Will Mallory foi alvo seis vezes contra o Tennessee e pegou duas bolas para 20 jardas; os Colts, com 2-4, correm 27,8 vezes por jogo a 4,01 jardas e perderam também o cornerback Sauce Gardner e o retornador Anthony Gould para domingo.
Em Detroit o problema é de preço. Os Lions têm o melhor ataque da liga em pontos, 32,8 por jogo, e LaPorta soma 316 das 1.485 jardas recebidas do time, com três touchdowns em cinco partidas — 21% da produção aérea. A descrição que o coordenador Drew Petzing fez dele (bloqueia, protege o passador, se solta de linebackers e safeties, é desequilíbrio na zona vermelha) é justamente o pacote de tarefas que nenhum número isolado remunera. LaPorta disse que, se em três meses não vestir mais o azul de Detroit, “vai receber em outro lugar”.
O que a janela de 10 de novembro faz com a posição
Chicago chega à semana da trade deadline com 5-2 e uma vaga aberta num mercado sem oferta: tight end bloqueador de nível titular praticamente não se compra em outubro. Detroit precisa decidir se estende, em plena temporada, um jogador que disse em público estar em paz com a ideia de sair. E os Colts não têm o que comprar — só esperar que a virilha de Warren sare. Três situações, um único recado: a posição que menos aparece nas estatísticas é a que mais custa quando falta.
Fonte: ESPN, NFL.com.
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