Walker Kessler fez a estreia mais limpa possível pelo Los Angeles Lakers: 12 arremessos tentados, 12 convertidos, 26 pontos e 9 rebotes em 30 minutos na vitória por 127 a 105 sobre o Golden State Warriors, na noite de terça-feira (21). O detalhe que explica a noite não é a pontaria: nenhuma das 12 cestas saiu de fora do garrafão, e 11 delas vieram com assistência de um companheiro.
Doze cestas, nenhuma tentativa fora do garrafão
A narração lance a lance da partida permite reconstruir cada uma das 12 bolas de Kessler. Foram dez enterradas — entre elas três de alley-oop, duas de costas para a cesta e um tapinha após rebote ofensivo —, uma bandeja de alley-oop e uma bandeja em progressão. O pivô não tentou um único arremesso de média distância, não tentou nenhuma bola de três e ainda acertou 2 de 4 lances livres.
A distribuição das assistências é o coração da história. Cinco das 12 cestas vieram de passes de Luka Doncic, três de Austin Reaves, duas de Ziaire Williams e uma de Quentin Grimes. A única bola sem assistência foi o tapinha. Em outras palavras: Kessler não criou nenhuma das próprias finalizações. Ele ocupou o aro enquanto os criadores dos Lakers obrigavam a defesa do Golden State a escolher entre dois erros, e em todas as vezes a defesa escolheu errado.
O efeito coletivo apareceu no placar. Los Angeles terminou com 46 de 81 do campo, 57% de aproveitamento, contra 38 de 92 (41%) do Golden State. Doncic somou 28 pontos, 8 rebotes e 7 assistências; Reaves fez 23 pontos com 10 de 10 nos lances livres. LeBron James não jogou. Do lado dos Warriors, o brasileiro Gui Santos foi um dos poucos a se salvar: 12 pontos e 5 rebotes em 25 minutos saindo do banco.
O que os Lakers compraram por US$ 130 milhões
Kessler chegou a Los Angeles em julho, num sign-and-trade com o Utah Jazz: contrato de quatro temporadas e cerca de US$ 130 milhões, com Utah recebendo duas escolhas de primeira rodada e dois direitos de troca de escolha, segundo a Associated Press. É muito dinheiro para um jogador que vinha de uma temporada praticamente perdida — apenas 5 partidas em 2025-26, depois de 58 jogos com 11,1 pontos e 12,2 rebotes em 2024-25.
A escolha dos Lakers, portanto, não foi por um pontuador. Foi por um finalizador que converte a criação de Doncic e de Reaves em dois pontos sem gastar posse. A dependência é mútua e, por isso, frágil: numa noite em que Doncic distribuir menos ou for marcado com dobra alta, o mesmo Kessler pode terminar com seis pontos sem ter jogado pior. Vale lembrar que a montagem do quinteto inicial de Los Angeles era o grande problema da pré-temporada.
Wilt, Shaq e o peso do garrafão dos Lakers
Segundo levantamento publicado pela BasketUSA, Kessler é o primeiro jogador dos Lakers desde Wilt Chamberlain, em 1969, a acertar todos os arremessos numa partida com pelo menos 12 tentativas, e suas dez enterradas são a maior marca de um atleta da franquia desde Shaquille O’Neal, em 2003. O próprio O’Neal, hoje comentarista, batizou o pivô de “Snow Time” e “Milk Chamberlain” e o declarou o melhor pivô da liga — avaliação que Charles Barkley e Kenny Smith receberam com ceticismo no mesmo programa.
Kessler devolveu o crédito aos companheiros e disse que Doncic enxerga o jogo como se tivesse “um terceiro olho”. A ressalva é óbvia e precisa ser dita: é uma partida em 82. Uma noite de 12 de 12 não se repete, e o número que vale acompanhar nas próximas semanas não é o aproveitamento do pivô, e sim quantas finalizações no aro a dupla Doncic-Reaves consegue gerar por jogo ao longo do calendário da NBA. Esse é o indicador que dirá se os US$ 130 milhões fazem sentido.
Fonte: ESPN, Associated Press, BasketUSA.
Com informações do BasketUSA.
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