A NBA parou de falar em intenções e colocou um número na mesa. Segundo Mark Tatum, vice-comissário da liga, o projeto da NBA Europe vai distribuir aos clubes cerca de três vezes mais dinheiro do que a Euroliga projeta para a mesma década — e uma franquia com vaga permanente deve ficar no azul já no terceiro ano de operação. A declaração chega poucos dias depois de os clubes da Euroliga rejeitarem a primeira proposta de aproximação.
Os dois lados da conta são públicos, e é por isso que o número de Tatum não é apenas retórica de coletiva. A Euroliga anunciou um plano de redistribuição de 3,4 bilhões de euros aos seus clubes em dez anos. A NBA fala em mais de US$ 10 bilhões no mesmo intervalo. O Eurohoops publicou as duas projeções em junho, e nenhuma das partes as desmentiu desde então.
O que a Euroliga nunca conseguiu vender: um ativo
A tese que sustenta esse três para um não está na distribuição anual. Está na natureza do que o clube compra. Na Euroliga, a licença A é um direito de participação: garante presença na competição e uma fatia da receita, mas na prática não se revende no mercado aberto nem aparece no balanço como patrimônio líquido negociável. Na NBA Europe, o que está à venda é uma franquia com participação societária — e as ofertas recebidas pela liga ficaram na faixa de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por vaga.
A diferença é decisiva para quem assina o cheque. Um grupo que paga US$ 700 milhões por uma franquia espera dois retornos: a distribuição anual e a valorização do ativo quando quiser sair. Um clube com licença A tem apenas o primeiro. Por isso a promessa de rentabilidade no terceiro ano, que isolada soaria otimista, faz sentido dentro do modelo: nos Estados Unidos, a NBA passou duas décadas provando que o valor da franquia cresce mais rápido que o lucro operacional. É o mesmo argumento que sustenta o processo de expansão doméstica, com Las Vegas na reta final da disputa por uma vaga.
Doze meses para montar uma liga inteira
O cronograma segue intacto: estreia em outubro de 2027, com 16 equipes — 12 franquias permanentes e quatro classificadas por critério esportivo, principalmente via Basketball Champions League. A liga ainda não marcou data para anunciar os primeiros donos, e Tatum resume o motivo da cautela: é um momento histórico e não dá para errar.
O problema é aritmético. Faltam cerca de doze meses para definir arenas, estruturas de base, calendário, direitos de transmissão e elencos de doze clubes que ainda não existem juridicamente. Nenhuma liga profissional moderna foi montada nesse prazo. A NBA afirma que prevê o maior investimento da história do basquete europeu — centros de formação, infraestrutura, ginásios e operação comercial —, o que torna o atraso possível sem matar o projeto. Os nomes de cidades que circulam há meses, de Real Madrid, PSG, Barcelona e Milão, seguem sem confirmação formal.
Por que o torcedor brasileiro deveria acompanhar
Porque o que a NBA está exportando não é basquete: é um modelo de propriedade. Liga fechada, sem rebaixamento, com cota societária transferível e teto salarial. Se funcionar na Europa, onde o acesso esportivo é dogma cultural, o argumento chega muito mais forte a qualquer discussão sobre a estrutura do basquete brasileiro. E se não funcionar, a porta com a Euroliga, que a NBA diz não ter fechado por completo, volta a ser a única saída. A cobertura do assunto segue no nosso hub de NBA.
Com informações do BasketUSA.
Fonte: BasketUSA, Eurohoops.
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