A temporada 2026/27 começou com a França de volta ao primeiro lugar entre os países estrangeiros mais representados na NBA: 17 jogadores espalhados por 13 franquias. É a primeira vez desde 2013 que os franceses lideram, encerrando doze temporadas de domínio do Canadá. A manchete é verdadeira, mas a explicação não é francesa.
Basta comparar as duas séries. A França tinha 19 jogadores no início da temporada passada e caiu para 17 — perdeu dois. O Canadá tinha 23 e agora tem 16 — perdeu sete. A liderança mudou de mão por encolhimento do rival, não por crescimento próprio. Em 2013, quando a França esteve na ponta pela última vez, bastavam dez representantes contra oito canadenses: o patamar inteiro subiu desde então, e é esse patamar que agora recua.
O número que ninguém estava esperando: 125
O dado mais relevante do levantamento feito a partir dos elencos oficiais e compilado pela Associated Press não é o ranking de países. É o total: a NBA abriu a temporada com 125 jogadores internacionais, contra 135 no ano passado, que era recorde histórico. Dez vagas a menos num universo que vinha crescendo quase sem interrupção.
E é a distribuição dessa queda que diz algo. O número de países representados ficou estável em 43, mas a Europa praticamente não sentiu: 70 europeus agora, contra 71 na temporada anterior. Alemanha segue com 7 e Sérvia com 6, sem alteração. Quem perdeu foram os mercados de fora da Europa: a Austrália caiu de 13 para 9, e o Canadá, de 23 para 16. Em termos de participação, os europeus saltaram de 52,6% para 56% do contingente estrangeiro. A contração não foi global — foi seletiva, e atingiu exatamente os corredores de talento que não são europeus.
O Brasil no lado errado dessa conta
Nos elencos publicados pela ESPN para esta temporada, apenas um jogador nascido no Brasil aparece: Gui Santos, de Brasília, ala do Golden State Warriors. Vale a ressalva metodológica — a ESPN classifica por local de nascimento, enquanto o levantamento da AP usa nacionalidade esportiva, e as duas contagens nunca batem na casa decimal. Mesmo assim, a ordem de grandeza é inequívoca: o Brasil não é um corredor de talento para a NBA neste momento, e está no grupo que encolheu, não no que resistiu.
A comparação com a França ajuda a medir a distância. Quatro franquias têm dois franceses no elenco ao mesmo tempo — Washington, Minnesota, Charlotte e Nova York —, e a lista vai de nomes consolidados como Rudy Gobert a projetos recentes de primeira rodada como Nolan Traoré, em Brooklyn, e Joan Beringer, em Minnesota. É uma pirâmide com base e topo. O Brasil tem um único degrau. Nossa retrospectiva dos brasileiros na liga em 2025/26 mostra que o quadro já vinha estreito antes desta queda.
Onde ver o único brasileiro em quadra
Gui Santos tem jogo nesta quarta-feira. O Golden State visita o Los Angeles Lakers às 23h de Brasília, no último horário de uma rodada com 11 partidas — a primeira noite cheia da temporada, depois das três estreias de terça. Para quem quer acompanhar a programação completa com os horários convertidos, mantemos a tabela da NBA atualizada, e a cobertura diária fica no hub de NBA.
Se a tendência de 2026/27 se confirmar ao longo do ano, a pergunta deixa de ser quantos brasileiros chegam e passa a ser por qual via eles chegam: a Europa virou o filtro preferencial da liga, e é por lá que os próximos nomes terão de passar.
Com informações do BasketUSA.
Fonte: BasketUSA, Associated Press, NBA.com, ESPN.
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