Cinco dos oito gols que o Charlotte FC marcou nas duas últimas rodadas saíram de jogadores que começaram no banco, e Pep Biel, vice-artilheiro do time com 13 gols, não balançou a rede em nenhuma delas. As vitórias por 4 a 0 sobre o CF Montréal, em 28 de outubro, e sobre o Orlando City, em 31 de outubro, encerraram uma sequência de três jogos sem vencer e deixaram o Charlotte em quinto no Leste, com 53 pontos, antes da visita ao Inter Miami no Decision Day.
A reação existe dentro de campo, mas a sequência inteira cabe na divisão entre casa e fora, e a última rodada é fora.
Montréal foi domínio, Orlando foi goleiro
Contra o Montréal, o placar exagerou a margem, não a hierarquia: segundo os dados da Sportmonks, o Charlotte produziu 2,13 de xG contra 0,56, acertou sete finalizações no alvo contra uma e criou cinco grandes chances sem ceder nenhuma. O 1 a 0 de Idan Toklomati, artilheiro do time com 15 gols, durou até os 67 minutos, quando Liel Abada, recém-entrado, começou um hat-trick em 16 minutos (nota 9,23).
Contra o Orlando, a leitura é outra. O adversário teve 56% de posse, finalizou 15 vezes e acertou o alvo em oito. O Charlotte ganhou na qualidade das chances, quatro grandes oportunidades contra uma e 2,31 de xG contra 1,18, mas quem segurou o 2 a 0 até os 84 minutos foi Kristijan Kahlina: oito defesas e nota 8,64, a melhor em campo segundo os dados da Sportmonks. Abdoulaye Doucouré e Rodolfo Aloko, saídos do banco, fecharam a conta no fim, no intervalo em que Allan Saint-Maximin perdeu um pênalti e foi expulso.
Somados, os dois jogos dão oito gols para 4,44 de xG e nenhum gol sofrido para 1,74 cedido. Há mérito real na criação, nove grandes chances contra uma, mas o saldo real de oito gols supera em mais de cinco o saldo esperado de 2,70. A sobra veio da finalização e do goleiro.
O peso do adversário e do endereço
O CF Montréal é o 15º e último do Leste, com 67 gols sofridos em 33 rodadas. O Orlando City é nono e tem a pior defesa da conferência, 78 gols sofridos. Golear os dois em casa confirma que o Charlotte sabe punir defesas frágeis; não prova que o time voltou ao nível dos oito jogos sem perder entre agosto e setembro.
O dado que organiza tudo é o endereço. Os três tropeços anteriores, 3 a 1 para o Columbus Crew, 2 a 2 com o Philadelphia Union e 3 a 2 para o Portland Timbers, foram todos fora, com oito gols sofridos. No Bank of America Stadium, o Charlotte tem 10 vitórias, 4 empates e 3 derrotas, com saldo de 21 gols. Longe de casa são 5 vitórias, 4 empates e 7 derrotas, com saldo negativo de seis. A queda e a reação seguem exatamente essa linha.
O que está em jogo em Miami
A vaga está garantida e o piso também: o Philadelphia Union, sexto com 47 pontos, não alcança mais os 53. Para subir a quarto, precisa vencer em Miami sem que o Chicago Fire vença o Columbus. Em caso de empate em 56 pontos, as duas equipes teriam 16 vitórias, primeiro critério da MLS, e o saldo do Charlotte, hoje +15 contra +11, decidiria. O terceiro lugar exige ainda que o Inter Miami não pontue neste domingo em Foxborough.
Quarto e quinto não são a mesma coisa. Na série melhor de três da primeira fase, o melhor colocado recebe os jogos 1 e 3. É a lógica da nova Champions League, em que a campanha da fase de liga compra o jogo de volta em casa; na MLS, ela compra dois jogos de três. Para um time com a divisão casa e fora do Charlotte, isso pesa muito. A projeção da MLS de 29 de outubro já desenhava Chicago Fire x Charlotte nessa série, e o Charlotte deve ir a Miami sem Saint-Maximin, já que a expulsão contra o Orlando gera suspensão automática.
Datas no calendário da MLS; a defesa do Orlando foi analisada aqui; mais na editoria de MLS.
Fonte: ESPN, MLSsoccer.com, Sportmonks.
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