Prognósticos Rays x Brewers: Jogo 1 da World Series

Julien Josset | 23/10/2026 - 04:42

Os Milwaukee Brewers recebem os Tampa Bay Rays nesta sexta-feira, às 21h de Brasília, no American Family Field, no primeiro jogo de uma World Series que vai coroar um campeão inédito — nenhuma das duas franquias jamais levantou o troféu. É a primeira decisão desde 1980, quando Philadelphia bateu o Kansas City, em que os dois finalistas buscam o primeiro título, segundo levantamento da ESPN.

O Jogo 1 coloca frente a frente as duas ideias de beisebol mais opostas que outubro podia oferecer: o braço mais rápido que a liga já mediu de forma sistemática, de um lado, e a ofensiva que menos erra o contato entre as 30 equipes, do outro. Quem resolver essa equação primeiro sai na frente na série melhor de sete.

Misiorowski tem o braço, mas não tem durado

Jacob Misiorowski, 24 anos, fechou sua primeira temporada completa na MLB como provável vencedor do Cy Young da National League, e os números explicam por quê: 16 vitórias e 5 derrotas, 1.80 de ERA em 174.2 innings, 252 eliminações por strikeout, apenas 44 caminhadas concedidas, WHIP de 0.80 e um aproveitamento de apenas .157 para os rebatedores adversários. Nenhum arremessador da liga foi tão difícil de acertar.

A marca que o define, no entanto, é de velocidade. Misiorowski lançou 1.115 arremessos a 160 km/h (100 mph) ou mais em 2026, pulverizando o recorde anterior de 673, de Jordan Hicks em 2018, desde que a contagem começou a ser feita, em 2008. Seu arremesso mais rápido do ano, 105,5 mph, saiu em 27 de junho. O recorde de velocidade para um titular em World Series é de Noah Syndergaard, 101,1 mph em 2015; a marca geral da decisão, 103,2 mph, do alívio Aroldis Chapman em 2016. As duas correm risco nesta sexta.

O problema é o que vem depois do primeiro arremesso. Misiorowski não completou a quinta entrada em nenhuma de suas duas aberturas de pós-temporada: foram 4 innings e 4.50 de ERA na National League Division Series contra o San Diego Padres, e 4.1 innings com 2.08 de ERA na National League Championship Series contra o Los Angeles Dodgers. O detalhe que importa está na contagem de arremessos: dos 182 que fez em outubro, os rebatedores atacaram 94 e jogaram 51 para fora de campo — 28% do total de arremessos e 54% de todos os swings, conta publicada pela ESPN.

É o próprio técnico do Milwaukee quem admite o desgaste. “Ele não esteve tão afiado”, disse Pat Murphy na quinta-feira. “Eles claramente estão olhando para uma região. Estão tentando explorar tudo. Ele está exposto, como todos esses caras ficam em algum momento.”

A ofensiva que foi construída exatamente para isso

Aqui está a parte desconfortável para o Milwaukee: a receita que encurtou as duas últimas aberturas de Misiorowski é, literalmente, o projeto de time do Tampa Bay. Os Rays terminaram a temporada regular com o menor número de strikeouts entre as 30 equipes da MLB — 1.145 em 162 jogos, 7,07 por partida — e com 45 sacrifice bunts, a maior marca de um time da American League desde 2015. Ao mesmo tempo, roubaram 164 bases, mais do que o próprio Milwaukee (162).

Nenhuma das duas depende da bola por cima do muro. Segundo a Elias Sports Bureau, o Milwaukee marcou apenas 32,1% de suas corridas em home runs, a menor taxa da liga, e o Tampa Bay 34,4%, a segunda menor.

“Se tivéssemos um elenco montado com um monte de rebatedores de força, provavelmente não estaríamos bunteando e roubando bases”, disse o técnico Kevin Cash. “Eu acho que a gente já deixou o bunt legal de novo.” O arremessador Steven Matz descreveu o efeito do lado de dentro: “Nós adoramos ver esses caras causando o caos. Toda vez que tem corredor na primeira e na terceira e alguém deixa um bunt, a gente está morrendo de rir no bullpen.”

A ressalva é que esse plano rendeu pouco em outubro. O ataque de Tampa Bay produziu OPS de .599 na Division Series contra o New York Yankees e .675 na Championship Series contra o Cleveland Guardians, com 48 strikeouts em seis jogos — oito por partida, bem acima da média da temporada. O time venceu por causa dos arremessadores, não do bastão.

Sete dias parados contra dois: a conta do descanso

O Milwaukee não joga uma partida oficial desde 16 de outubro, quando fechou a varredura por 4 a 0 sobre os Dodgers com um 6 a 4 em Los Angeles. São sete dias de intervalo. O Tampa Bay, que precisou de seis jogos para passar o Cleveland, atuou pela última vez no dia 20, e chega com dois dias de descanso e com o ritmo de jogo na mão.

A assimetria corta para os dois lados. O Milwaukee recompõe o bullpen inteiro e devolve Misiorowski com a carga de arremessos zerada, o que ajuda um titular que vinha sendo retirado cedo — em troca, aceita o risco de ferrugem contra quem vem de eliminatória longa. Os Brewers fecharam a temporada regular com 103 vitórias e 59 derrotas, recorde da franquia, o melhor saldo de corridas da liga (832 a 618) e 55-26 em casa, o mesmo aproveitamento doméstico dos Rays.

Martinez, a escolha que ninguém esperava

Do outro lado do montinho, o Tampa Bay optou por Nick Martinez, 36 anos, destro, em seu quarto time na MLB. É o oposto exato de Misiorowski: 15-6 com 3.10 de ERA em 180 innings, mas apenas 109 strikeouts — 5,45 por nove innings, menos da metade dos 12,98 do rival — contra 26 caminhadas concedidas, controle de elite. Rebatedores acertaram .249 contra ele. Martinez vive de contato administrado e de não dar base de graça.

Em outubro ele oscilou: 3.2 innings e 4.91 de ERA na Division Series, depois 5.1 innings com 1.69 na Championship Series. Segundo a ESPN, a escalação dele no Jogo 1 serve para dar descanso extra a Drew Rasmussen antes do Jogo 2. Apelidado de “El Presidente” pelos companheiros por levar o grupo para jantar em cada cidade visitada, Martinez entra para segurar o jogo até o bullpen, não para dominá-lo.

Há ainda o contexto econômico: é a primeira vez desde 1991 que os dois finalistas estão na metade de baixo da folha de pagamentos da liga, com o Milwaukee em 19º em 31 de agosto, segundo a ESPN. A franquia joga no menor mercado da MLB e chegou à decisão uma única vez antes desta, em 1982, quando perdeu para o St. Louis. O Tampa Bay perdeu as duas que disputou: 2008 para o Philadelphia e 2020 para os Dodgers.

O prognóstico para o Jogo 1

Quem vence: Milwaukee Brewers. A conta é de volume, não de narrativa. Os Brewers chegam 7-1 na pós-temporada, com 2.25 de ERA coletivo na Championship Series e aproveitamento de .185 para os adversários, jogam em casa onde fizeram 55-26, e enfrentam um ataque que produziu OPS de .675 na rodada anterior. O bullpen descansado é a diferença mais concreta da noite: se Misiorowski sair na quinta entrada outra vez, o Milwaukee tem braços frescos para cobrir quatro innings, e o Tampa Bay não tem como fabricar corridas sem home run contra arremessadores em dia.

O caminho da zebra está desenhado e é estreito: os Rays precisam repetir em escala maior o que Padres e Dodgers fizeram em doses — atacar a faixa alta, encher a contagem de arremessos de Misiorowski com foul balls e empurrar a partida para o bullpen antes da quinta. Se o jogo chegar à sexta entrada empatado, a vantagem muda de lado. Mas para isso o bastão de Tampa Bay precisa acordar, e ele dormiu as duas últimas semanas.

Para acompanhar a sequência da decisão, veja o calendário da MLB e a cobertura da liga. A análise do Jogo 6 da Championship Series que levou o Tampa Bay até aqui está em Guardians x Rays: Jogo 6 da ALCS.

Fonte: MLB Stats API, ESPN, Associated Press, Elias Sports Bureau.

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