A Série de Campeonato da Liga Americana virou uma melhor de três. O Tampa Bay venceu o Jogo 4 por 7 a 3 no sábado, empatou a série em 2-2 e devolveu ao Cleveland a obrigação de decidir em casa: o Jogo 5 acontece neste domingo, 18 de outubro, às 18h08 de Brasília, no Progressive Field, antes de a disputa voltar a St. Petersburg na segunda-feira. Não há dia de descanso para viagem, porque a chuva de sexta-feira empurrou todo o calendário.
O duelo de arremessadores é o melhor da pós-temporada até aqui: Drew Rasmussen pelos Rays contra Parker Messick pelos Guardians. E há um número que explica por que esta série está empatada apesar de o Cleveland ter rebatido melhor.
O Cleveland está ganhando as rebatidas e perdendo as defesas
Nos quatro jogos da ALCS, os Guardians batem .256 de média, .308 de OBP e .376 de slugging, com 4 home runs. Os Rays batem .219/.268/.328, com apenas 2 home runs. Cleveland tem até menos eliminações por strikeout: 33 contra 39. Mesmo assim a série está 2-2 — e a explicação está no setor defensivo.
No Jogo 2, Messick cedeu três corridas em cinco innings, mas nenhuma delas foi ganha: as três entraram por falhas de defesa, e o Tampa Bay venceu por 3 a 1. No sábado, a cena se repetiu em escala maior. Com corredores na segunda e na terceira e um eliminado no sétimo inning, o rebatedor Jonathan Aranda mandou uma simples para a direita e o jardineiro Chase DeLauter deixou a bola passar por baixo da luva. Duas corridas entraram, Aranda chegou à terceira base e marcou em seguida no sacrifício de Chandler Simpson. Quatro corridas de vantagem em uma jogada.
“Põe essa na minha conta”, disse DeLauter à ESPN depois da derrota. “Você erra uma bola rasteira e entrega duas corridas — na prática, entrega três. É minha culpa que ele chegou na terceira. É ruim.” O técnico Stephen Vogt foi na mesma direção: “Pareceu que a bola serpenteou nele ou simplesmente escapou, ele tirou o olho dela. Foram duas jogadas infelizes que normalmente completamos e hoje não conseguimos.”
O topo da ordem do Tampa Bay acordou na pior hora para Cleveland
O dado mais relevante para o Jogo 5 não é o erro, é o despertar dos quatro primeiros rebatedores dos Rays. Nos três primeiros jogos da série, Yandy Díaz, Aranda, Simpson e Junior Caminero somaram 7 em 41 com três corridas impulsionadas. No Jogo 4, os mesmos quatro produziram 6 das 11 rebatidas da equipe e impulsionaram seis corridas. Aranda, que estava 0 em 10 na série, fez três rebatidas e duas RBIs; Díaz somou duas rebatidas e duas RBIs, incluindo um home run de duas corridas no nono inning.
“Era questão de tempo para engrenar. Podemos usar isso daqui para frente”, disse Aranda. O técnico Kevin Cash, que manteve a escalação intacta durante a seca, resumiu: “Muitos turnos de rebatida realmente bons. Muitas bolas batidas com força.”
Rasmussen e Messick: dois ases com históricos opostos nesta série
Rasmussen fechou a temporada regular com 2.67 de ERA e 0.91 de WHIP em 172 innings, com 174 strikeouts contra apenas 32 caminhadas concedidas e campanha de 16-5 — a melhor relação entre strikeouts e caminhadas dos dois lados. No Jogo 1 desta série, lançou seis innings, cedeu duas corridas ganhas e registrou sete strikeouts sem conceder uma única caminhada. Ainda assim o Tampa Bay perdeu por 7 a 3, porque o bullpen desmontou depois da sua saída.
Messick teve ano igualmente forte: 2.56 de ERA, 1.06 de WHIP, 193 strikeouts em 186.1 innings e 32 jogos como titular. A diferença está no controle — 49 caminhadas contra 32 de Rasmussen — e é exatamente aí que o topo da ordem do Tampa Bay, agora em ritmo, pode fazer diferença.
Há ainda o fator temperatura. O Jogo 4 foi disputado a 46 graus Fahrenheit (cerca de 8 °C), a partida de pós-temporada mais fria da história da franquia de Tampa Bay, e o arremessador Nick Martinez cedeu apenas uma corrida e duas rebatidas naquele frio. O argumento de que o clima de Cleveland desarmaria um time da Flórida já não se sustenta.
Prognóstico do Jogo 5
Prognóstico: Tampa Bay Rays. O raciocínio não é sobre o erro de DeLauter, que provavelmente não mudou o resultado do Jogo 4 — as duas corridas entrariam na simples de Aranda de qualquer forma. É sobre a combinação de três coisas: Rasmussen é o arremessador da série com melhor controle e já mostrou domínio sobre esta escalação; o topo da ordem adversária saiu de uma seca de 7 em 41 para seis RBIs em um jogo; e o Cleveland acumulou falhas defensivas em dois dos quatro jogos, num momento em que sua margem ofensiva é de uma corrida por jogo. Cleveland ainda tem a vantagem do mando no Jogo 5, e Messick é motivo legítimo de confiança — mas a série inverteu seu eixo no sábado.
Do outro lado do cruzamento, o Milwaukee já espera: os Brewers varreram o Los Angeles por 4-0 na Série de Campeonato da Liga Nacional e vão à World Series pela primeira vez desde 1982.
O calendário da pós-temporada está no calendário da MLB, e a cobertura completa segue no hub da MLB. A prévia do Jogo 4 está em Prognósticos Guardians x Rays: Jogo 4 da ALCS.
Fonte: ESPN, MLB Stats API.
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