Prognósticos Guardians x Rays: Jogo 6 da ALCS

Julien Josset | 19/10/2026 - 12:27

O Tampa Bay Rays está a uma vitória da World Series. Nesta segunda-feira, 19 de outubro, às 21h de Brasília, no Tropicana Field, os Rays recebem o Cleveland Guardians no Jogo 6 da ALCS com vantagem de 3 a 2 na série e com Freddy Peralta no monte — o mesmo arremessador que, até agosto, era o maior fracasso da temporada do New York Mets. Cleveland chega sem arremessador anunciado, sem dia de viagem e com Gavin Williams descartado pelo próprio técnico. Nosso prognóstico é de vitória dos Rays.

Peralta trocou de identidade na trade deadline

O número que explica o Jogo 6 não está na série: está na carreira de Peralta em 2026. Com os Mets, o dominicano de 30 anos fez 22 aberturas, 113.2 innings, 5 vitórias e 9 derrotas, ERA de 4,99 e WHIP de 1,48 — a pior temporada de um arremessador que havia sido All-Star duas vezes e que entrava no último ano antes da free agency. Tampa Bay o adquiriu na trade deadline em troca de três prospectos, assumindo o risco.

O que veio depois é outro arremessador. Em 10 aberturas pelos Rays na temporada regular: 55.1 innings, 5-2, ERA de 3,25 e WHIP de 1,01. Na pós-temporada: 3 jogos, 2 aberturas, 11.1 innings, ERA de 0,79, 9 strikeouts, 4 walks, WHIP de 0,97 e apenas .171 de aproveitamento dos rebatedores adversários contra ele. Foi dele a vitória no Jogo 2 desta ALCS, por 3 a 1.

A virada começou numa sala ao lado do vestiário visitante do Coors Field, no início de agosto, segundo reportagem da ESPN. O técnico de arremesso Kyle Snyder, o técnico de bullpen Jorge Moncada, os catchers e parte da diretoria se reuniram com o recém-chegado para refazer mecânica, mix de arremessos e cabeça. “Foram feitas mudanças”, disse Moncada, “mas as mudanças foram no sentido daquilo que ele já tinha sido no passado”. A estreia pelos Rays, em Denver, foi péssima: 7 corridas em 3.2 innings contra o Colorado. Na segunda abertura, em Sacramento, segurou o Athletics em 3 corridas por 6 innings. A partir dali não parou.

“Tudo mudou quando fui trocado”, disse Peralta. “Já falei antes que aqui sou tratado como um rei, e me sinto muito bem com isso. Eles estão me trabalhando muito bem aqui.”

O contrapeso existe e é real: Cleveland vai vê-lo pela terceira vez nesta série. Rebatedores melhoram contra um arremessador a cada confronto, e os at-bats dos Guardians foram ficando melhores ao longo do Jogo 5. Se Peralta insistir na reta dentro da zona como fez no Jogo 2, a terceira leitura pode cobrar.

Cleveland não anunciou quem abre — e perdeu a melhor opção

O problema mais concreto dos Guardians não é rebater: é decidir quem arremessa. O técnico Stephen Vogt descartou Gavin Williams, que liderou a Liga Americana com 248 strikeouts na temporada regular e abriu o Jogo 3 na quinta-feira, com 2 corridas em 5 innings. Resta um quebra-cabeça.

  • Parker Messick, canhoto de 25 anos e candidato a Calouro do Ano da AL, teve no Jogo 5 a abertura mais curta da carreira: 2 innings, 2 corridas, 5 rebatidas válidas, 3 walks e só 34 de 57 arremessos na zona. Foi a segunda vez em quatro aberturas de pós-temporada que não passou do terceiro inning. Ele fechou o ano com exatamente 200 innings, o primeiro calouro a chegar lá desde Yordano Ventura em 2014.
  • Foster Griffin abriu o Jogo 1 e voltou como bulk reliever no Jogo 4, com 3.2 innings, 1 corrida e 4 rebatidas válidas.
  • O bullpen entregou o melhor da série: no Jogo 5, apenas 1 corrida em 7 innings depois da saída de Messick.

Some a isso o calendário. A chuva que adiou o Jogo 4 no sábado empilhou dois jogos no domingo, 18 de outubro, e eliminou o dia de viagem. Cleveland perdeu o Jogo 5 em casa à noite e precisou embarcar para a Flórida para jogar na segunda. Um bullpen que trabalhou em dose dupla em 24 horas é um bullpen com margem menor.

Os números da série apontam para um jogo de arremesso

Em cinco jogos, nenhum dos dois ataques funcionou. Os Rays rebatem .245, com OBP de .295, SLG de .344, 18 corridas e apenas 2 home runs, com 45 strikeouts. Cleveland rebate .238, com OBP de .290, SLG de .335, 15 corridas, 4 home runs e 40 strikeouts. Do outro lado, os dois corpos de arremessadores completaram 44 innings cada com WHIP idêntico de 1,14: ERA de 3,07 e 40 strikeouts para Tampa Bay, ERA de 2,86 e 45 strikeouts para Cleveland.

Traduzindo: a série está sendo decidida por meia dúzia de jogadas. No Jogo 5, Steven Kwan fez duas das cinco rebatidas válidas dos Guardians, eliminou Taylor Walls que tentava marcar desde a segunda base numa simples de Jonathan Aranda e ainda tirou uma corrida com um salto no muro do campo central. Nem isso bastou. No Jogo 4, o trio Junior Caminero, Yandy Díaz e Aranda resolveu pelos Rays. Na temporada regular a diferença era clara — 98-64 para Tampa Bay, 85-77 para Cleveland; na série, não é.

O recadramento histórico: 7 em 23

Times que chegaram ao Jogo 6 de uma ALCS perdendo por 3 a 2 viraram a série 7 vezes em 23 — cerca de 30%. O detalhe que conta contra os Rays é que os dois últimos a conseguir foram os dois mais recentes: o Texas em 2023 e o Toronto no ano passado.

E Cleveland tem credenciais específicas para essa situação. Os Guardians estavam 60-65, cinco jogos e meio atrás do Chicago White Sox na AL Central em 17 de agosto; venceram 8 de 9, fizeram 16-9 em setembro e levaram a divisão por um jogo. Na ALDS, perderam os dois primeiros em casa para o próprio White Sox, venceram os dois seguintes em Chicago e fecharam a série por 2 a 0 no Jogo 5. Fora de casa, são 3-1 nesta pós-temporada e 47-38 no ano somando temporada regular e playoffs — melhor do que os 43-44 no Progressive Field.

“Vamos. Não temos outra escolha”, disse Vogt. “É nessas situações que este time aparece.” Kwan foi mais direto: “Acho que ajuda muito saber que a gente é capaz de fazer isso, encarando eliminação.”

Prognóstico: Rays fecham em casa

Nosso prognóstico é vitória do Tampa Bay Rays. A razão não é a campanha nem o fator casa: é o desequilíbrio entre os montes. Os Rays sabem exatamente quem abre, e esse alguém tem ERA de 0,79 em outubro; Cleveland vai improvisar com um bullpen que arremessou em dois jogos no mesmo dia e sem o seu melhor abridor. Numa série em que as duas ofensivas estão rebatendo abaixo de .250, quem controla o monte controla o jogo.

O risco do prognóstico está nomeado: a terceira leitura de Peralta pelos rebatedores de Cleveland e o histórico recente de viradas em 3-2. Se os Guardians levarem o jogo para o sétimo ou oitavo inning empatado, a vantagem passa para o bullpen que deu 1 corrida em 7 innings no domingo.

Vencendo, Tampa Bay vai à World Series contra o Milwaukee Brewers, campeão da Liga Nacional — duelo entre duas franquias que nunca ganharam o título, e a primeira ida dos Rays à decisão em temporada completa desde 2008. Perdendo, o Jogo 7 fica para terça-feira, 20 de outubro, no mesmo estádio.

O jogo é no Tropicana Field, em St. Petersburg (Flórida), às 21h de Brasília. Acompanhe a pós-temporada no calendário da MLB e no hub de MLB do Quinto Quarto. Para revisar o que mudou no domingo, veja nossa análise do Jogo 5 da ALCS.

Fonte: ESPN, MLB Stats API, Associated Press.

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