[UFC] Natália Silva rebate críticas antes de disputar o cinturão vago no UFC 332

Julien Josset | 02/10/2026 - 08:02

A brasileira Natália Silva chega ao UFC 332 com o discurso de quem já ouviu de tudo. A dois dias de disputar o cinturão vago dos pesos moscas femininos contra a chinesa Wang Cong, no sábado (3), no Delta Center, em Salt Lake City, a mineira de Pingo-d’Água respondeu em entrevista ao site MMA Junkie, publicada na quinta-feira, a quem questiona a legitimidade do confronto: “Gente duvidando de mim, gente dizendo que eu não ia chegar onde cheguei. Lidei com isso a vida inteira”.

No mesmo material, assinado por Farah Hannoun e Nolan King, a número 1 do ranking oficial da divisão disse que nada disso muda a sua rotina. “Não importa para mim. A única coisa que importava era ter a melhor preparação, o melhor campo de treinamento, estar pronta para esta luta.” Natália também evitou tratar a adversária, oitava colocada, como uma rival menor: “Ela é uma adversária dura. É alguém que traz pontos fortes para a mesa. Vai ser a luta mais difícil da minha carreira”.

A encarada que esquentou a coletiva

Na coletiva de imprensa de quinta-feira, Wang cobrou da brasileira mais participação na divulgação do combate e afirmou que havia preparado uma provocação para a encarada. “Eu tinha meu plano para esquentar a encarada, mas ela nem olhou”, disse a chinesa, segundo o relato publicado pelo Yahoo Sports/SB Nation, acrescentando que o esporte precisa “levar dinheiro para o show”. Natália devolveu em duas frases secas: “Se ela quer se exibir, pode se exibir sozinha. Não importa” e “não estou aqui para brincar; este é o meu sonho, estou aqui para lutar”.

A pesagem oficial do evento acontece nesta sexta-feira, em Salt Lake City, e os resultados da balança ainda não estavam divulgados no momento desta publicação. O card principal, com cinco lutas, está marcado para as 21h de Brasília, com transmissão nos Estados Unidos por Paramount+ e CBS, conforme a página oficial do evento no UFC.com. Além da mineira, o card tem outros três brasileiros escalados: Deiveson Figueiredo, Rafael dos Anjos e Johnny Walker.

De Pingo-d’Água ao cinturão

O perfil publicado pelo próprio UFC.com na quinta-feira recupera a origem da candidata ao título: nascida em Pingo-d’Água, cidade de cerca de 5 mil habitantes em Minas Gerais, Natália começou no taekwondo aos 16 anos, migrou para o MMA aos 18 e, no início da carreira, chegou a morar na academia e a dormir em salas de fisioterapia. “O meu propósito, o meu trabalho, é ser campeã”, afirmou. “O que me trouxe até aqui foi acreditar em mim mesma e nunca desistir.”

Os números sustentam o favoritismo. Natália é 20-5-1 como profissional, segundo a ESPN, e vem de 14 vitórias consecutivas no total, sendo oito seguidas dentro do Ultimate, com triunfos sobre Rose Namajunas, Alexa Grasso e Jéssica Andrade. O UFC.com aponta 90,3% de defesa de quedas, a melhor marca da categoria, e destaca a velocidade e a movimentação de pés como suas armas centrais.

O cinturão está vago porque Valentina Shevchenko se machucou e devolveu o título, cenário que abriu a vaga para a brasileira e para Wang Cong. A página de rankings do UFC, atualizada em 26 de setembro, ainda listava Shevchenko como campeã, com Natália em primeiro e a chinesa em oitavo lugar entre as desafiantes. As próximas datas da organização estão no calendário do UFC, e a cobertura completa das lutas fica em Lutas e MMA.

Fonte: UFC.com, MMA Junkie, UFC 332.

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