Dois dias depois do UFC 332, a ESPN publicou o seu balanço do card de Salt Lake City e reservou um dos tópicos a Deiveson Figueiredo. O brasileiro foi nocauteado por Payton Talbott no co-main event e, no levantamento semanal das divisões do site, perdeu o lugar que ocupava no top 10 do peso-galo — justamente para o americano que o venceu. Aos 38 anos, Figueiredo recebeu do jornalista Brett Okamoto um texto que trata a sua carreira como encerrando-se em breve. O brasileiro havia entrado no confronto com Talbott como favorito pelo currículo.
Dois minutos no co-main event
Talbott entrou agressivo, mandou Figueiredo ao solo duas vezes e encerrou a luta pouco depois dos dois minutos de combate. Foi, segundo a ESPN, o nocaute mais marcante de um card que estabeleceu recorde de finalizações na história da franquia. Para Talbott, foi a segunda vitória consecutiva sobre um ex-campeão, resultado que o colocou pela primeira vez no top 10 do peso-galo do ranking da ESPN, atualizado em 6 de outubro. A regra do levantamento é simples: quem não luta há doze meses e não tem combate marcado sai da lista — e quem perde para um estreante nela pode ceder o posto.
A derrota chegou poucos dias depois de Figueiredo ter pedido publicamente uma volta ao peso-mosca e desafiado o campeão Joshua Van. O resultado em Utah complica esse caminho, mas não apaga o que o brasileiro construiu na categoria dos 57 kg.
O homem que segurou a divisão dos moscas
O argumento de Okamoto é histórico. Em 2020, o peso-mosca masculino do UFC estava em situação precária: Henry Cejudo havia salvado a divisão ao nocautear TJ Dillashaw em 2018, mas depois deixou vago um cinturão de uma categoria que a franquia chegou a considerar extinguir. Foi Figueiredo quem assumiu o posto, com poder de nocaute em um único golpe e um carisma de vilão que o texto descreve sem rodeios. Ele protagonizou as duas lutas seguidas contra Joseph Benavidez em 2020 e a rivalidade de quatro combates com Brandon Moreno, uma das sequências mais vistas da divisão.
A ESPN lembra também o lado ingrato da trajetória: Figueiredo sempre foi um peso-galo emprestado. Sofria para bater os 57 kg e, ao subir de categoria em 2023, ficou subdimensionado entre os 61 kg. A mudança era inevitável, escreve Okamoto, mas por três anos o brasileiro foi exatamente a figura de que o peso-mosca precisava. A conclusão do texto é direta: Figueiredo será lembrado como um herói significativo da história da categoria, não apenas como um bom campeão.
Um balanço que não é só sobre ele
O mesmo levantamento de divisões da ESPN registrou outras mexidas sem luta. No meio-pesado, Khalil Rountree Jr. saiu por inatividade e Bogdan Guskov e Robert Whittaker entraram no top 10. No peso-médio, Nassourdine Imavov também caiu por não ter competido nos últimos doze meses, substituído por Christian Leroy Duncan. São movimentos de calendário, não de octógono — e mostram que, no ranking, ficar parado custa tanto quanto perder.
Para Figueiredo, o que resta definir é o próximo passo: aceitar a descida de categoria que ele mesmo pediu ou encerrar a carreira. A franquia ainda não anunciou nada. Até lá, o brasileiro segue como o único campeão do peso-mosca a defender o cinturão em uma rivalidade de quatro atos.
Fonte: ESPN.
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