O cinturão dos pesos-médios do UFC virou um impasse de contrato. O campeão Sean Strickland, que tem cartel de 31 vitórias e 7 derrotas, voltou a atacar publicamente a política salarial da organização e admitiu que pode deixar o UFC caso nada mude. Em publicações feitas em 7 de outubro na sua conta no X e compiladas pelo Sherdog, o americano foi direto: “Preciso ser honesto: a não ser que as coisas mudem com o UFC, eu estou meio de saco cheio”.
Na sequência, Strickland usou um exemplo para medir a distância entre o que considera justo e o que recebe: “O McGregor ganha 30 milhões para lutar 30 segundos e eles não querem pagar uma fração disso para nós”. Quando um torcedor lembrou que as suas vitórias de zebra sobre Israel Adesanya e Khamzat Chimaev valiam bolsas maiores, o campeão respondeu que os dois adversários “ganharam significativamente mais” do que ele nas respectivas noites.
A ameaça: abandonar o cinturão e subir de divisão
O detalhe mais pesado da crise não é a reclamação em si, e sim o plano que o campeão colocou na mesa. Strickland afirmou que estuda cumprir o restante do seu contrato no peso meio-pesado, o que significaria abrir mão do cinturão dos médios sem defendê-lo. Como alternativa financeira para justificar a saída, ele citou uma luta contra Jake Paul — o tipo de evento que, fora do octógono, paga valores que o UFC historicamente não pratica.
O impacto esportivo seria imediato. Um cinturão vago nos 84 kg reorganizaria toda a fila de desafiantes e abriria caminho para nomes que estão parados à espera de uma definição. O Brasil tem interesse direto nessa conta: a divisão é uma das que o país historicamente mais ocupa no ranking oficial do UFC, e qualquer reembaralhamento abre portas.
Imavov perdeu a paciência e foi atrás do campeão
Quem mais perde com o impasse é Nassourdine Imavov (17-4). Em setembro, Strickland havia dito que a defesa de cinturão contra o francês estava perto de ser fechada e que faltava apenas acertar os valores. O contrato nunca foi assinado — e o desafiante decidiu cobrar pessoalmente.
Segundo o Sherdog, Imavov abordou Strickland na saída do UFC Performance Institute, em Las Vegas, e passou a questioná-lo sobre o contrato até a segurança intervir. “Qual é o seu problema? Você não assina o contrato?”, perguntou o francês, que ainda se ofereceu para bancar o combate do próprio bolso: “Eu tenho dinheiro”. Strickland tentou se afastar, evitou o confronto verbal e foi seguido pelo desafiante, enquanto um funcionário do UFC tentava acalmar Imavov.
A luta já havia sido cogitada para o UFC 335, em dezembro, em Las Vegas — o mesmo evento que terá Alex Pereira contra Sergei Pavlovich em cinco rounds. Sem assinatura, o duelo escorregou para 2027, se acontecer.
O quadro deixa três cenários abertos:
- O UFC melhora a proposta, Strickland assina e defende o cinturão contra Imavov.
- O campeão sobe para os meio-pesados, o cinturão fica vago e a divisão é reconstruída.
- Strickland cumpre o contrato e sai da organização, levando o problema para fora do octógono.
Nenhum dos três é confortável para a organização, que precisa de um campeão ativo numa das divisões mais vendáveis do calendário. Siga a cobertura completa em Lutas e MMA e nas notícias de UFC.
Fonte: Sherdog.
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