[UFC] Wang Cong, a chinesa que venceu três brasileiras, desafia Natália Silva

Julien Josset | 02/10/2026 - 18:05

A adversária de Natália Silva na luta principal do UFC 332, neste sábado (3), no Delta Center, em Salt Lake City, não é uma desconhecida para o MMA brasileiro. Wang Cong, 34 anos, natural de Xangai e apelidada de “The Joker”, construiu o cartel de 10-1 que a levou à disputa do cinturão vago dos pesos moscas femininos passando justamente por lutadoras do Brasil.

Segundo o perfil publicado pelo UFC.com na quinta-feira, três das suas últimas quatro vitórias no Ultimate vieram sobre brasileiras, todas por decisão: Bruna Brasil, no UFC 312, Ariane da Silva, no UFC 316, e Eduarda Moura, em fevereiro, no Apex. A quarta foi sobre a americana Tracy Cortez, no UFC 329, com placar amplo. A única derrota da chinesa no UFC também tem sotaque brasileiro: finalização sofrida contra Gabriella Fernandes, no segundo round, em Macau, na sua segunda aparição na organização. A estreia havia sido um nocaute em 62 segundos sobre Victoria Leonardo.

A vitória sobre Shevchenko que virou argumento

Há um detalhe que dá peso à candidatura da oitava colocada do ranking. Em outubro de 2015, ainda no kickboxing, Wang venceu Valentina Shevchenko por decisão unânime e conquistou o título dos galos do Kunlun Fight, informação confirmada pelo próprio UFC.com. É a mesma Shevchenko que se machucou e devolveu o cinturão dos moscas do Ultimate, abrindo a vaga que agora será disputada em Salt Lake City.

Wang treina no Performance Institute do UFC em Xangai e também no Team Alpha Male, em Sacramento. Os números divulgados pela organização a colocam entre as melhores strikers da divisão: 58,2% de precisão nos golpes significativos, o melhor índice da categoria, e cerca de oito golpes conectados por minuto, o segundo melhor.

O plano declarado contra a brasileira

A chinesa não esconde o respeito pela adversária, nem o caminho que pretende seguir. “Minha oponente, Natália Silva, é uma striker de nível altíssimo. Ela tem uma movimentação de pés incrível e um controle de distância impressionante”, disse ao UFC.com. Em seguida, apontou onde acredita ter vantagem: “Acho que o meu diferencial vai ser o controle de distância e a diferença de potência nos meus socos e chutes”. Sobre o objetivo, foi curta: “Desde que assinei com o UFC, conquistar o cinturão sempre foi a minha meta”.

Do outro lado, Natália é a número 1 do ranking oficial, tem cartel de 20-5-1 pela ESPN, vem de 14 vitórias consecutivas — oito delas no Ultimate — e registra 90,3% de defesa de quedas, a melhor marca da divisão. Nenhuma das duas havia encabeçado um card do UFC antes. O balanço dos brasileiros no ranking oficial mostra o tamanho da oportunidade para a mineira.

O que vem depois para a divisão

A categoria não para no sábado. Duas semanas depois, em 17 de outubro, no Rogers Place, em Edmonton, o UFC coloca Erin Blanchfield, quarta colocada, contra Jasmine Jasudavicius, sétima, no co-main event do UFC Fight Night encabeçado por Joaquin Buckley e Mike Malott. Acima delas na fila estão Alexa Grasso, segunda, e Manon Fiorot, terceira. Quem sair campeã de Salt Lake City terá, portanto, uma lista pronta de desafiantes — e, no caso de Natália, a chance de transformar a vitória sobre uma rival que já bateu três compatriotas em um reinado longo. O calendário completo está em calendário do UFC.

Fonte: UFC.com, UFC.com, UFC Rankings.

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