Há uma luta no card preliminar do UFC 333, no sábado em Abu Dhabi, em que os dois homens querem rigorosamente a mesma coisa. Grant Dawson, 32 anos e cartel de 24-3-1, enfrenta Nurullo Aliev, 25 anos e invicto em 12 lutas, no peso leve. Juntos, eles somam 7,06 tentativas de queda por cada 15 minutos de luta. Não há plano B.
A soma das quedas
Dawson tenta 3,58 quedas por 15 minutos e 14 de suas 24 vitórias vieram por finalização — 58% do total —, com média de 1,36 tentativa de finalização por 15 minutos. Aliev tenta 3,48 quedas no mesmo intervalo, mas nunca finalizou ninguém: 10 das 12 vitórias dele são por decisão, 83% do cartel, e seu tempo médio de luta é de 12min55, quase o limite regulamentar de três rounds.
A cadeia é direta. Os dois buscam a queda, logo o combate se decide em quem consegue impor onde a luta acontece. E nesse ponto os números apontam para o lado menos óbvio: a defesa de quedas de Aliev é de 80%, a de Dawson é de 67%. O cenário mais provável, portanto, não é Dawson por cima caçando as costas — é Dawson na posição inferior, tentando a finalização de baixo, onde sua média de 1,36 ataque por 15 minutos ainda é a arma mais perigosa do confronto.
Em pé, nenhum dos dois resolve: Dawson acerta 3,14 golpes significativos por minuto com 51% de precisão e defende apenas 45% do que recebe; Aliev acerta 2,29 por minuto com 44% de precisão. É o tipo de luta que, se ficar na distância, vai para as mãos dos jurados por falta de volume, não por equilíbrio.
O único ponto de comparação direta
Os dois têm um adversário em comum, e ele é revelador: Joe Solecki, vencido por Dawson por decisão unânime no UFC 302, em junho de 2024, e por Aliev também por decisão unânime em janeiro de 2025. Nenhum dos dois conseguiu finalizar um lutador cujo jogo é justamente o chão.
O histórico recente separa um pouco os caminhos. Dawson vem de uma finalização recente: mata-leão sobre Mateusz Rebecki no terceiro round do UFC 328, em maio. Aliev vem de três decisões unânimes consecutivas — Mike Davis em julho deste ano, Shem Rock em novembro de 2025 e Solecki em janeiro de 2025 — o que explica por que um invicto de 12-0 ainda não apareceu no ranking.
Fora do ranking, encostados na porta
Nem Dawson nem Aliev figuram no top 15 do peso leve atualizado em 10 de outubro. A lista começa com Justin Gaethje como campeão, Ilia Topuria em primeiro e Arman Tsarukyan em segundo, e tem três brasileiros: Charles Oliveira em terceiro, Mauricio Ruffy em oitavo e Renato Moicano em décimo segundo. É a divisão mais congestionada do UFC e a que mais depende de nocaute ou finalização para alguém furar a fila — o próximo card do Apex e a presença de brasileiros nos leves mostram o tamanho do engarrafamento.
Para quem vai acompanhar do Brasil, a vantagem é o fuso: as preliminares de Abu Dhabi começam às 13h de Brasília. O resto do programa está no calendário do UFC e na editoria de lutas e MMA.
Fonte: UFC.com, ESPN.
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