Os Los Angeles Chargers são o único time sem vitória da NFL (0-6), mas o Football Power Index da ESPN os coloca como a 20ª equipe da liga e projeta para eles 4,3 vitórias, mais do que Miami Dolphins e Tennessee Titans (3,5 cada). A corrida pela primeira escolha do draft de 2027 depende de um ataque que explica o 0-6, de uma defesa que segura os Chargers acima do fundo e de um calendário mais duro para os rivais de baixo.
O 0-6 é obra do ataque
Os Chargers têm a pior média de pontos da liga (15,0) e o pior índice de eficiência ofensiva do FPI. Justin Herbert divide a liderança da NFL com oito interceptações e já sofreu 21 sacks. Na última partida antes da folga, a derrota por 22 a 6 para os Kansas City Chiefs, o time somou 259 jardas. Jim Harbaugh manteve Mike McDaniel como chamador de jogadas depois da revisão feita na semana livre, e Herbert assumiu a conta: “Não é culpa do Mike, é nossa como ataque”.
A defesa conta outra história. É a 14ª em eficiência no FPI, cede 25,2 pontos por jogo e ajuda a explicar por que três das últimas cinco derrotas foram por oito pontos ou menos: 24 a 16 para os Buffalo Bills, 30 a 23 para os Seattle Seahawks e 23 a 17 para os Denver Broncos. Com 11 jogos pela frente, um time que perde por margens curtas tem mais chance de virar algumas delas, leitura compatível com a projeção do modelo. Sean McVay, adversário deste domingo às 18h05 de Brasília, foi na mesma linha: “Vejo um time muito bom. Eles tiveram chance de vencer muitos desses jogos”. O peso histórico do 0-6 está nos onze times que começaram assim e ficaram fora dos playoffs.
Dolphins e Titans, mais fracos no modelo
O FPI coloca Miami como o pior time da NFL (-7,3) e Tennessee como o penúltimo (-6,3). Os dois também têm calendários restantes mais difíceis que o dos Chargers: o segundo e o quinto mais duros da liga, contra o sexto de Los Angeles. Os Dolphins (1-5) marcam 16,3 pontos por jogo e recebem os New England Patriots; os Titans (1-6), com 15,4, visitam os Cincinnati Bengals.
Tennessee ainda acaba de trocar Jeffery Simmons, líder do time em sacks e tackles para perda, que atraiu 101 marcações duplas em sete jogos, a segunda maior marca entre os defensive tackles. Sem ele, a projeção dos Titans tende a piorar. A contrapartida é que o time recebeu a primeira escolha de 2027 dos Chicago Bears, que o FPI projeta com 11 vitórias, ou seja, uma escolha do fim da rodada, como explicamos na análise da troca de Simmons.
O que está em jogo no topo
A ESPN trata o recebedor Jeremiah Smith, de Ohio State, como um prospecto geracional: 52 recepções, 984 jardas e 12 touchdowns em sete jogos nesta temporada. Nos últimos 30 anos, a primeira escolha saiu sempre de quarterbacks, edge rushers ou tackles ofensivos, e nenhum recebedor foi o número 1 desde Keyshawn Johnson, pelos New York Jets, em 1996. O analista Jordan Reid lembra que não há um quarterback de consenso nesta classe, o que abre a porta para Smith.
A consequência prática é que o lanterna de hoje não é o candidato mais provável. Se os Chargers vencerem um dos jogos de margem curta que vêm perdendo, a disputa passa a ser entre dois times que o modelo considera piores e que enfrentam calendários mais pesados. O domingo já pode reordenar a parte de baixo da tabela.
Fonte: ESPN, Associated Press.
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