[NFL] Jeffery Simmons no Bears: duas primeiras rodadas para consertar as primeiras descidas

Análise NFL | 30/10/2026 - 11:52

Com a defesa que menos cede conversões em terceira descida na NFL (26,1%) e uma das piores nas descidas anteriores, o Chicago Bears enviou ao Tennessee Titans na quinta-feira as escolhas de primeira rodada de 2027 e 2028, mais uma de quarta rodada de 2027, pelo defensive tackle Jeffery Simmons e uma quinta rodada de 2028. A lógica da troca cabe em três elos: Simmons melhora a primeira e a segunda descida, o adversário chega mais vezes à terceira e ali o esquema de blitz do coordenador Dennis Allen já funciona.

O buraco está antes da terceira descida

Os números da ESPN Analytics descrevem uma defesa partida ao meio. Em terceira descida, ninguém é melhor. Nas descidas iniciais, quando Allen não pode recorrer aos pacotes de blitz, o Bears é 32º em EPA defensivo por jogada, 32º em jogadas explosivas cedidas e 27º em taxa de sucesso defensivo. No agregado, a unidade aparece em nono em pontos e oitavo em jardas cedidas, uma média que esconde os dois extremos.

O diagnóstico aponta para o interior da linha: o Bears é 23º em taxa de vitória no pass rush entre os jogadores do meio (13%, segundo ESPN Analytics e Next Gen Stats). É exatamente a posição de Simmons. Nesta temporada ele lidera os defensive tackles da liga em pressões totais, também lidera a posição em EPA contra a corrida e jogou mais snaps (399) que qualquer outro DT. Desde 2019, seus 46,5 sacks só ficam atrás dos de DeForest Buckner entre os jogadores da posição.

Uma troca sem precedente na posição

Segundo a ESPN Research, é a primeira vez desde 1967, início da era do draft comum, que um defensive tackle é trocado por mais de uma escolha de primeira rodada. O contexto explica a pressa: na terça-feira, o San Francisco 49ers trouxe justamente Buckner e o Seattle Seahawks trouxe o guard Quenton Nelson, dois rivais diretos na NFC. O Bears (5-2) visita o Seahawks na segunda-feira, às 22h15 de Brasília, já com um time que tem o melhor jogo terrestre da liga, o terceiro ataque em jardas e o oitavo em pontos.

O preço: a janela de Caleb Williams

Para o Titans (1-6), que o Football Power Index da ESPN projeta hoje com a primeira escolha geral, a troca é reconstrução pura. Para o Bears, o custo precisa ser lido em dinheiro e em calendário. A escolha de 2027 cedida está projetada em 26º, o que barateia a primeira metade do pacote. Mas Simmons tem 26,95 milhões de dólares garantidos em 2027 e um impacto previsto de 30,9 milhões no teto salarial de 2028 se o contrato não for renegociado, no mesmo período em que o right tackle Darnell Wright já recebe 116 milhões por quatro anos e Caleb Williams se torna elegível para extensão após esta temporada.

Ou seja, a janela útil é a de agora, enquanto o quarterback ainda recebe salário de calouro. O precedente da própria franquia pede cautela: em 2018 o Bears deu duas primeiras rodadas ao Raiders por Khalil Mack, e uma delas virou Josh Jacobs, que marcou dois touchdowns pelo Packers nesta quinta-feira. A diferença é que aquele Bears vinha de 5-11; este chega à metade da temporada brigando pela NFC Norte. Se Simmons tirar a defesa do 32º lugar nas descidas iniciais, a conta se paga em janeiro. O jogo anterior do time, a vitória sobre o Patriots, está analisado aqui; a outra ponta das trocas de terça-feira, no Colts, também. Mais sobre a franquia na página do Chicago Bears.

Fonte: ESPN (ESPN Analytics, ESPN Research, Football Power Index), NFL Next Gen Stats.

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