Os Green Bay Packers chegam à rodada 6 com 3-2 e um número que destoa de tudo o que conseguem fazer com a bola no ar: 16 conversões em 58 terceiras descidas, 27,6%, a pior taxa da NFL em 2026. No domingo à noite, em Lambeau Field, recebem um Dallas que converte 49,2% das suas.
Sem jogo corrido, toda terceira descida vira terceira e longa
A cadeia é simples e verificável. Green Bay é o último time da liga em jardas corridas por jogo: 60,4. São 3,1 jardas por tentativa, o segundo pior número da NFL — só Las Vegas, com 3,0, está abaixo. Um ataque que não ganha chão na primeira e na segunda descida chega à terceira precisando de muito, e nesse ponto a defesa adversária já sabe exatamente o que vem.
O efeito aparece no placar, não no volume. Os Packers produzem 342,0 jardas por jogo, das quais 281,6 pela passagem, e mesmo assim marcam 20,8 pontos por jogo — 104 em cinco partidas. Jordan Love completou 25 de 31 para 367 jardas e 2 touchdowns na vitória por 31 a 7 sobre Chicago; no mesmo jogo, o líder de corridas do time foi MarShawn Lloyd, com 10 tentativas para 31 jardas. Uma semana antes, na vitória por 17 a 14 em Tampa, Kaleb Johnson liderou o setor com 8 corridas para 42 jardas.
Há ainda o sinal indireto: 14 sacks sofridos em cinco jogos e 6 conversões em 10 tentativas de quarta descida. Arriscar dez quartas descidas em cinco jogos é o que uma comissão técnica faz quando deixou de confiar na terceira.
Dallas é o teste mais fácil que esse ataque vai encontrar
Se a terceira descida de Green Bay vai melhorar em alguma rodada, é nesta. A defesa de Dallas somou 5 sacks em cinco jogos — terceira menor marca da liga, atrás apenas de Kansas City e Miami, com 4 — e apenas 2 takeaways, número que divide a última posição com Indianápolis e Tennessee. Pouca pressão e pouca bola recuperada: exatamente o cenário que um ataque carente de tempo e de segundas chances procura.
O problema está do outro lado. Dallas marca 27,6 pontos por jogo, converte 49,2% das terceiras descidas (quarta melhor taxa da NFL) e pontuou em 100% das idas à red zone, com 83,3% de touchdowns. Dak Prescott já teve jogo de 32 de 45 para 335 jardas nesta temporada, CeeDee Lamb fez 17 recepções para 189 jardas contra Houston e George Pickens somou 9 para 130 jardas na quinta rodada. São 138 pontos a favor, mais do que qualquer outro time da NFC Leste. Para os Packers, portanto, não basta corrigir a terceira descida: é preciso corrigi-la num jogo que tende a exigir mais de 24 pontos.
O que derruba a tese
A tese defendida aqui é que o problema de Green Bay é estrutural — ausência de jogo corrido — e não circunstancial. Ela cai se os Packers converterem acima de 40% das terceiras descidas no domingo mantendo as mesmas 3,1 jardas por corrida: nesse caso, os 27,6% terão sido efeito do calendário, não do desenho do ataque. Se a corrida continuar na casa das 3 jardas e a conversão seguir abaixo de 35% justamente contra uma das defesas que menos pressiona e menos recupera bola na liga, o número deixa de ser acidente.
O saldo de pontos reforça a leitura: 104 a favor, 112 contra, -8. Entre os quatro times da NFC Norte, Green Bay é o único acima de .500 com saldo negativo — Minnesota está em 5-0 com +45, Chicago em 3-2 com +23 e Detroit em 3-2 com +16. O panorama completo da NFL e o calendário da temporada ajudam a acompanhar o resto da rodada.
Fonte: ESPN, NFL.com.
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