Quatorze minutos bastaram para que o Miami Heat entendesse o que comprou. Na primeira aparição de Giannis Antetokounmpo com a camisa da franquia da Flórida, no sábado (3), o grego somou 9 pontos com aproveitamento perfeito de quadra (3 de 3), 7 assistências e 4 rebotes na vitória por 129 a 105 sobre o Toronto Raptors. Não foi o número de pontos que impressionou o banco — foi a coluna das assistências.
Erik Spoelstra, que dirige o Heat desde 2008, escolheu uma comparação pesada para descrever o que viu. “Seu tamanho, sua visão de jogo e a capacidade de entregar a bola diretamente na mão dos arremessadores lembram um grande armador que jogou para o Pat Riley nos anos 1980”, disse o técnico. Riley, presidente da franquia, acompanhava o treino da beira da quadra naquele dia. A referência a Magic Johnson não precisava de legenda.
Um ala-pivô que joga como armador
A comparação soa exagerada até alguém abrir o histórico. Antetokounmpo deixou Milwaukee como o maior garçom da história da franquia, com 4.484 assistências acumuladas entre 2013-14 e 2025-26. Na última temporada pelos Bucks, mesmo limitado a 36 partidas, ele registrou médias de 27,6 pontos e 5,4 assistências por jogo. Jason Kidd, seu antigo técnico, já havia previsto anos atrás que a evolução natural do grego passaria pela criação de jogadas, e não apenas pelo ataque à cesta.
O ponto técnico que Spoelstra destacou é específico: Antetokounmpo ataca o garrafão, obriga a defesa a colapsar e, em vez de forçar a finalização, devolve a bola para o perímetro. Contra Toronto, Andrew Wiggins foi o maior beneficiado — 12 pontos em 13 minutos, com 4 de 6 nas bolas de três. Tim Hardaway Jr. também apareceu entre os destinatários dos passes. Bam Adebayo fechou com 10 pontos e 6 rebotes, e o calouro Ian Schieffelin chamou atenção com 11 pontos e 4 de 4 de quadra vindo do banco.
O plano depende dos arremessadores
A leitura de Spoelstra embute uma condição. Um criador do tamanho de Antetokounmpo só é letal se os companheiros converterem o que ele oferece. Foi exatamente o que faltou em vários momentos dos últimos anos em Milwaukee, quando o grego acumulava assistências potenciais que morriam no aro. Em Miami, o elenco foi montado com essa lógica: Wiggins, Hardaway Jr., Klay Thompson e Bobby Portis dão ao Heat um leque de arremessadores que o antigo time do grego raramente teve à disposição ao mesmo tempo.
O número da pré-temporada reforça a tese. Miami anotou 129 pontos em um jogo no qual nenhum titular passou de 14 minutos em quadra, sinal de que a circulação de bola — e não o volume individual — sustentou o ataque. Spoelstra tem semanas de treino pela frente para transformar isso em padrão, e a validade real do experimento só será medida quando a temporada regular começar e as rotações voltarem aos 32, 34 minutos habituais.
Para o torcedor brasileiro que acompanha a liga, o detalhe a observar na pré-temporada é simples: quantas das assistências de Antetokounmpo nascem de penetração e quantas nascem de bloqueio direto com Adebayo. A primeira categoria é a que sustenta a comparação com Magic. Os próximos compromissos do Heat estão no calendário da NBA, e há mais sobre a nova dupla da franquia em nosso texto sobre Giannis e Bam Adebayo. Acompanhe também a editoria do Miami Heat.
Com informações do BasketUSA.
Fonte: BasketUSA.
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