[NBA] Ausar Thompson refez a mecânica do arremesso para mudar de patamar

Julien Josset | 08/10/2026 - 16:22

Defensor de elite e arremessador quase inexistente: esse foi o resumo das três primeiras temporadas de Ausar Thompson na NBA. Aos 23 anos, o ala do Detroit Pistons decidiu atacar justamente o ponto que limita o seu teto e passou o verão desmontando a mecânica do arremesso para reconstruí-la do zero.

Os números que explicam a urgência

A amostra da última campanha é brutal. Thompson tentou apenas 24 bolas de três em 73 jogos e converteu 6 — uma média de aproveitamento de 25,0%, com volume tão baixo que as defesas simplesmente deixavam de segui-lo para fora do garrafão. No meio-alcance, o índice ficou em 26,3%, e nos arremessos de dentro da linha de três fora da área imediata do aro, em 38,1%.

No restante da planilha, o ala continuou útil: 9,9 pontos, 5,7 rebotes, 3,1 assistências e 2,0 roubos de bola em 25min58s de média, com 52,5% nos arremessos de quadra. A evolução nas assistências e nos roubos foi real — passou de 1,9 e 1,1 em 2023/24 para 3,1 e 2,0 em 2025/26 —, mas a produção em pontos oscilou pouco: 8,8, depois 10,1, depois 9,9. É o retrato de um jogador que atingiu o limite daquilo que consegue entregar sem arremessar.

O contexto financeiro aumenta a pressão. Thompson assinou uma extensão de 155 milhões de dólares por cinco anos, valor que, no mercado atual, cobra produção ofensiva de quem o recebe. Em Detroit, a conta se soma a outro compromisso pesado da franquia: a renovação de Jalen Duren por 200 milhões. O núcleo jovem está pago — agora precisa render.

O que mudou no verão

O trabalho foi de base, não de ajuste fino. “O processo consiste em desconstruir tudo antes de reconstruir”, explicou o próprio jogador, que diz ter chegado à pré-temporada em outra fase mental: “Me sinto bastante confiante com o meu arremesso neste momento.” A abordagem adotada é a clássica de quem reaprende o gesto — não pensar no erro anterior e repetir “próximo arremesso, próximo arremesso, próximo arremesso”.

O primeiro sinal concreto apareceu no amistoso contra o Phoenix Suns: 10 pontos com 5 acertos em 8 tentativas, incluindo três bolas de meio-alcance convertidas. É pouco para qualquer conclusão, mas é exatamente o tipo de arremesso que ele não tentava.

O técnico JB Bickerstaff insiste que o volume não é o ponto. O que interessa é a ameaça. “Os adversários vão ter de ajustar a maneira de defendê-lo”, afirmou o treinador, para quem a simples capacidade de converter esse tiro “muda a defesa”. A lógica é direta: se o marcador precisar respeitar o arremesso de média distância, abre-se espaço para o que Thompson faz melhor — atacar o aro em linha reta e finalizar em movimento.

Por que isso vale para toda a rotação de Detroit

Um ala defensivo que vira ameaça de média distância resolve um problema estrutural do Pistons: espaçamento. Com Thompson obrigando a defesa a sair do help defensivo, os pontas ganham corredor e o pivô recebe menos ajuda dupla no garrafão. É o mesmo raciocínio que outras franquias aplicam ao formar jovens defensores, como mostra o trabalho defensivo de Caleb Wilson nos Chicago Bulls.

A validação, porém, só virá na temporada regular, quando as rotações defensivas forem desenhadas especificamente para ele e os minutos de pós-temporada cobrarem decisão rápida. Até aqui, há uma mecânica nova e três arremessos convertidos. Siga a cobertura na página do Detroit Pistons e na seção de NBA.

Com informações do BasketUSA.

Fonte: BasketUSA.

Share your love