A briga pelo basquete europeu deixou de ser esportiva e passou a ser contábil. A tese é simples: a NBA não quer vencer a EuroLeague em quadra, quer comprar o mercado antes de ter um único clube inscrito. Mark Tatum, vice-comissário da liga e braço direito de Adam Silver, acaba de colocar um número nessa estratégia: o projeto da NBA Europe distribuiria aos clubes três vezes mais dinheiro do que as projeções da concorrente.
Três bilhões e meio contra “bilhões, ou dezenas de bilhões”
O contraste de linguagem já diz muito. A EuroLeague anunciou um plano de dez anos com 3,4 bilhões de euros a serem redistribuídos aos clubes. A NBA respondeu falando em bilhões — e até dezenas de bilhões — de dólares no mesmo período, sem fechar o número. Para o leitor brasileiro acostumado ao futebol, a comparação útil é esta: a EuroLeague é o fechado clube dos grandes do continente, com Real Madrid, Panathinaikos e Olympiacos entre os sócios permanentes, e vive de um modelo em que o dinheiro vem sobretudo dos próprios clubes e dos seus patrocinadores. A NBA chega com caixa de liga norte-americana e uma lógica de investimento, não de rateio.
Tatum foi além do volume e prometeu rentabilidade: uma equipe com vaga permanente, segundo ele, ficaria no azul em média já no terceiro ano de operação. É o argumento decisivo para convencer donos de clube europeus a trocar a segurança do prestígio da EuroLeague pelo risco de uma liga que ainda não existe.
Dezesseis equipes em outubro de 2027
O desenho segue de pé: largada prevista para outubro de 2027, com 16 equipes, sendo 12 franquias permanentes e quatro vagas conquistadas por critério esportivo, principalmente via Basketball Champions League. Nenhuma data foi dada para o anúncio das primeiras franquias, mas Tatum garante que as conversas avançam. Um entendimento com a EuroLeague não está completamente descartado, só deixou de ser condição: a NBA se diz pronta para seguir sem ela.
Essa parte é a mais relevante para quem acompanha o basquete daqui. Boa parte dos brasileiros que saem do NBB e não chegam à NBA constrói carreira exatamente nesse circuito europeu, e uma terceira porta — com salários sustentados por capital norte-americano — mudaria o mapa de destinos. O mesmo vale no sentido inverso: veteranos que deixam a NBA já encaram a Europa como etapa final de carreira, como mostrou o caso recente de Kelly Olynyk, que trocou a NBA pela Itália.
Por que isso conta nesta temporada
Porque o calendário aperta. Se a liga precisa estar em quadra em outubro de 2027, as franquias, as arenas e os contratos de transmissão têm de ser definidos ao longo da temporada regular 2026-27. Tudo o que a NBA disser nos próximos meses sobre expansão, carga de jogos e janelas de calendário passa a ser lido também por essa chave europeia. E a frase de Tatum sobre o plano rival resume o tom da negociação: “O plano de dez anos da EuroLeague não muda nada nos nossos projetos.”
O que a NBA promete, na prática, é inverter o fluxo de dinheiro do basquete europeu: em vez de clubes financiando a competição, uma competição financiando clubes — em centros de formação, infraestrutura, arenas e operação comercial, no que a liga descreve como o maior investimento da história do basquete do continente. É uma promessa, não um contrato assinado. Mas é a primeira vez que ela vem com ordem de grandeza.
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Com informações do BasketUSA.
Fonte: BasketUSA, NBA.com.
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