O Detroit Pistons chega à estreia da temporada 2026/27 com um luxo que pode virar armadilha: gente demais boa o suficiente para jogar. Dezesseis jogadores passaram de nove minutos por partida na pré-temporada, e a conta interna indica que J.B. Bickerstaff pode montar uma rotação de até 13 nomes. Isso soa como vantagem. Em abril, raramente é.
Primeiro, o tamanho do que está em jogo. Detroit fechou a temporada passada com 60 vitórias e 22 derrotas, a melhor campanha da Conferência Leste, e tinha um banco entre os cinco melhores da liga em eficiência ofensiva e em saldo de pontos por posse. Depois caiu de rendimento justamente nos playoffs. Essa sequência — banco de elite ao longo de 82 jogos, banco apagado na pós-temporada — é a chave para entender o ano que começa.
A aritmética do vestiário
A profundidade já foi testada. Quando Cade Cunningham e Jalen Duren ficaram fora na temporada passada, Daniss Jenkins e Paul Reed seguraram o time sem queda visível. Agora, os reforços Taurean Prince e Isaiah Joe chegam para cumprir o mesmo papel, mas disputam espaço com Duncan Robinson e Kevin Huerter. Nas alas, Javonte Green e Ron Holland são as reservas de John Collins — contratado para substituir Tobias Harris — e de Ausar Thompson. Some o novato Ebuka Okorie e o número fecha em 13 candidatos reais.
Treze nomes para, na prática, 96 minutos de perímetro e 96 de garrafão por jogo. A matemática não fecha sem alguém sair prejudicado, e Bickerstaff terá de arbitrar o tipo de escolha que define identidade: privilegiar os defensores de perímetro ou os arremessadores de três pontos. Não é detalhe tático. É a diferença entre um time que sufoca o adversário numa série de sete jogos e um time que depende de noites quentes de bola.
“Nossos jogadores respeitam o talento de cada um no vestiário e sabem que qualquer um deles pode ser chamado. Não é necessariamente porque alguém não está rendendo. Pode ser só uma questão de perfil diferente, de qualidades diferentes”, ponderou Jarrett Jack, ex-armador da NBA e hoje auxiliar de Bickerstaff.
Por que profundidade engana
Aqui está a tese. A temporada regular premia quem tem 13 jogadores aproveitáveis: ela traz viagens, jogos em noites seguidas, lesões e descanso programado. Uma série de playoffs premia o contrário — nove jogadores no máximo, papéis fixos e um adversário que estuda cada fraqueza durante duas semanas. Um banco que domina 82 jogos contra segundas unidades medianas encontra, em abril, titulares de verdade.
Ou seja, o verdadeiro trabalho de Bickerstaff não é distribuir minutos em outubro: é descobrir, antes de abril, quais quatro ou cinco dos 13 ficam de fora. Quanto mais tarde essa escolha for feita, menos tempo os nove escolhidos terão para construir automatismos. E foi exatamente isso que faltou ao Detroit na pós-temporada passada.
Onde ver o primeiro indício
O teste chega de imediato. Detroit recebe o Boston Celtics (56-26 na temporada passada) nesta terça-feira, às 16h de Brasília, em um horário de tarde incomum garantido pela transmissão nacional nos Estados Unidos. Vale olhar menos o placar e mais duas coisas: quantos jogadores Bickerstaff usa de verdade e quem fica no banco no último quarto. A segunda resposta importa mais do que a primeira.
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Fonte: BasketUSA, ESPN.
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