Kelly Olynyk encerrou uma carreira de 13 temporadas na NBA e já estreou pelo BC Roma SPQR, o clube italiano ligado ao projeto de Luka Doncic. O canadense de 35 anos deixou a liga norte-americana há cerca de duas semanas e foi apresentado à imprensa na Itália dois dias depois de marcar 15 pontos na estreia pela EuroCup, contra o Balkan Botevgrad.
O número que explica a saída
A frase do próprio jogador — “joguei 13 anos na NBA, então chegou a hora de abrir espaço para os mais novos” — é generosa, mas incompleta. A cadeia causal está na planilha. Em 2024-25, dividido entre New Orleans e Toronto, Olynyk somou 44 jogos com 20min18 de média, 8,7 pontos e 41,8% nas bolas de três, segundo a ESPN. Na temporada seguinte, em San Antonio, foram 42 jogos, mas com 8min36 em quadra, 3,2 pontos e 25,5% de aproveitamento no perímetro.
Ou seja: o número de jogos ficou praticamente igual, o tempo de quadra caiu pela metade e o arremesso — a única habilidade que mantém um pivô de 35 anos em uma rotação moderna — desabou 16 pontos percentuais. Não foi a idade que o tirou da NBA; foi o fato de o produto que ele vendia ter parado de funcionar no ano em que mais precisava funcionar. Para efeito de comparação, em 2020-21 ele chegou a produzir 19,0 pontos por jogo em 27 partidas pelo Houston Rockets.
Por que a Europa deixou de ser aposentadoria
Esse é o ponto que o leitor brasileiro costuma não enxergar. Durante décadas, um veterano de oito franquias NBA que assinava com um clube europeu estava, na prática, se despedindo. O Roma de Olynyk é outra coisa: um clube recém-capitalizado, associado ao nome de Doncic, que disputa simultaneamente o Campeonato Italiano e a EuroCup — a segunda divisão continental, porta de entrada para a EuroLeague. Para um jogador cujo papel na NBA havia sido reduzido a oito minutos, trocar o banco de um candidato ao título por minutos de verdade em dois torneios não é recuo de carreira: é realocação de capital.
Olynyk fez questão de desatrelar a decisão do projeto de uma liga da NBA na Europa, que vem sendo discutido publicamente. “Seria fantástico se acontecer, mas não é por isso que estou aqui”, disse, apontando que o elenco está concentrado no calendário italiano e na EuroCup. Escolheu a camisa 22 em homenagem à filha, nascida em 22 de setembro.
O que observar daqui para frente
Olynyk deixa a NBA depois de uma temporada em que os Spurs chegaram às Finais sem que ele tivesse papel relevante na rotação. O caso serve de régua para os próximos meses: quando uma peça de rotação de 30 e poucos anos some do box score americano, o destino provavelmente não é mais a aposentadoria, e sim um clube europeu disposto a pagar pelo que a NBA deixou de comprar. Quem acompanha a NBA pelo calendário da temporada vai ver esse movimento se repetir — e vale guardar o nome do Roma, porque ele tende a aparecer de novo.
Fonte: ESPN, BasketUSA, Eurohoops.
Com informações do BasketUSA.
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