O Sacramento Kings abriu a temporada com duas derrotas, 121 a 96 para os Clippers e 128 a 120 para o Portland, e com um número que explica as duas: 16 acertos em 59 tentativas de três pontos, 27,1%. A franquia foi uma das piores da NBA na linha de três na temporada passada e repetiu o roteiro na largada. Mas a leitura preguiçosa (“eles estão errando”) esconde a cadeia que importa: a bola chega tarde, chega parada e chega na mão de quem não deveria arremessar.
Mesma mira, metade do volume
Contra Portland, os dois times converteram praticamente na mesma taxa de três: 29,2% de Portland (14 de 48) contra 25,8% dos Kings (8 de 31). A diferença não esteve na pontaria, esteve no volume. Portland tentou 17 bolas de três a mais e terminou com seis acertos a mais, 18 pontos de vantagem vindos só dessa conta, num jogo decidido por oito. Na estreia foi igual: 14 de 35 dos Clippers contra 8 de 28 dos Kings.
O indicador que acompanha esse déficit é a assistência. Sacramento fez 22 e 21 passes para cesta nos dois jogos; os adversários, 29 e 30. Um time que arremessa pouco de longa distância e distribui pouco não está escolhendo mal entre duas boas opções: está chegando ao arremesso sem ter criado opção nenhuma.
O relógio de 24 segundos é o inimigo
Os próprios jogadores descreveram o mecanismo. Domantas Sabonis disse que o time arremessa cedo demais, muitas vezes depois de um único passe ou de um bloqueio e rolamento, sem fazer a bola circular, e pediu mais toques para ler a defesa. O técnico Doug Christie foi na mesma direção: o time se apressa nos primeiros segundos da posse e aceita arremessos de média distância contestados, quando deveria usar o meio da posse para atacar o garrafão e mover a bola.
Zach LaVine completou o diagnóstico: há um número mínimo de bolas de três que o time precisa tentar para ser competitivo, e boa parte do elenco não arremessa bem após o drible, o que obriga a criar arremessos abertos para esses jogadores. Pelas contas dele, só LaVine, o novato Darius Acuff Jr. e Malik Monk criam o próprio arremesso de longa distância com regularidade.
A distribuição que não fecha
O mapa de arremessos contra Portland é a prova da tese. Sabonis fez 27 pontos com 10 de 13 de quadra e 10 assistências: foi o jogador mais eficiente do time e tentou apenas 13 arremessos. Acuff Jr., novato de primeiro ano, tentou 26, acertou 10, fez 33 pontos e ficou em 2 de 11 nos três pontos em 37 minutos. Monk voltou e terminou com 0 de 6 em 12 minutos. LaVine ficou em 6 de 15.
Somadas as duas partidas, o quadro fica mais claro ainda: Acuff Jr. tentou 50 arremessos de quadra, o maior número do elenco, e converteu 15, e nos três pontos está em 2 de 18, 11,1%. Tire esses 18 arremessos da conta coletiva e o resto do Sacramento aparece com 14 de 41 na linha de três, 34,1%, uma taxa perfeitamente normal na NBA. O problema do time, em números, não é a pontaria do grupo: é um novato assumindo quase um terço das tentativas de longa distância na pior fase de mira da carreira dele.
Em outras palavras: quem mais erra é quem mais arremessa, e o pivô que mais acerta é o que menos arremessa. Enquanto essa pirâmide ficar invertida, a porcentagem de três pontos vai continuar sendo o sintoma, não a doença. A correção é verificável em números simples nos próximos jogos: tentativas de três acima de 35, assistências acima de 25 e menos arremessos de média distância contestados no início da posse.
O teste seguinte é no domingo, em casa, contra o Memphis Grizzlies, que acabou de virar um jogo contra o Golden State. Vale conferir os horários no calendário da NBA e acompanhar o resto da temporada regular. Quem gosta desse tipo de leitura de rotação e distribuição de bola encontra o caso oposto em Detroit, onde o treinador espalhou minutos por 13 jogadores.
Com informações do BasketUSA.
Fonte: BasketUSA, ESPN.
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