Na véspera da abertura da temporada 2026-27, vale um exercício de memória. A liga que começa nesta terça-feira (20) ainda é, em boa parte, a liga que Kareem Abdul-Jabbar reorganizou. Em 18 de outubro de 1969, quando ainda se chamava Lew Alcindor, o pivô do Milwaukee Bucks fez seu primeiro jogo profissional contra o Detroit Pistons de Walt Bellamy: 29 pontos, 12 rebotes e 6 assistências, jogando os 48 minutos da partida.
O contexto explica o tamanho da expectativa. Bill Russell havia acabado de se aposentar com 11 títulos em 13 temporadas, e a NBA procurava alguém capaz de fazer frente a Wilt Chamberlain. Alcindor chegava com três títulos da NCAA e três prêmios de melhor jogador do Final Four pela UCLA, numa dominação tão absoluta que a própria NCAA respondeu proibindo a enterrada. Foi essa restrição que o obrigou a lapidar o skyhook, o arremesso que se tornaria sua assinatura e que nenhum pivô depois dele conseguiu copiar.
7.782 pessoas viram o começo de tudo
Bellamy, que vinha de médias de 17,4 pontos e 12,5 rebotes, não teve resposta no garrafão: travou em faltas, várias delas ofensivas, e marcou a maior parte dos seus 25 pontos quando o jogo já estava resolvido. O Bucks venceu por 119 a 110. O dado que mais destoa do presente está na bilheteria: havia 7.782 pessoas na Mecca Arena para assistir à estreia do calouro mais aguardado da década. Roubos de bola e bloqueios, aliás, nem eram estatísticas oficiais naquela noite — a NBA só passou a contabilizá-los no começo dos anos 1970, o que significa que parte do que Alcindor fez naquele jogo simplesmente não existe em planilha.
A régua que a estreia anunciava
A carreira que começou ali é, nos números da ESPN, a seguinte: 1.560 jogos, 38.387 pontos, média de 24,6 por partida em 20 temporadas, 12.369 rebotes, 15.837 cestas de quadra e 3.189 bloqueios — contando apenas os anos em que o bloqueio já era registrado. Mais seis títulos e seis prêmios de MVP, marca que ninguém igualou. O recorde de pontos na temporada regular durou quase 39 anos, atravessando as eras de Magic Johnson, Michael Jordan e Kobe Bryant sem ser ameaçado de verdade.
E é aqui que a data deixa de ser efeméride. Quem derrubou a marca, em fevereiro de 2023, não é uma lembrança distante: aos 41 anos, LeBron James aparece na lista de inscritos do Philadelphia 76ers e começa nesta terça-feira a sua 24ª temporada na liga, justamente contra os Knicks. Seu total de carreira, segundo a ESPN, é de 43.440 pontos, ou 5.053 à frente de Abdul-Jabbar. Em 2025-26, ainda pelo Los Angeles Lakers, somou 1.256 pontos em 60 jogos (20,9 de média).
A comparação diz algo sobre as duas eras. Abdul-Jabbar chegou aos 38.387 pontos em 1.560 jogos, com média de 36,8 minutos por partida; James passou disso jogando mais temporadas, não necessariamente com mais volume por noite. Para quem vai perder noites de sono acompanhando a liga daqui do Brasil, é o tipo de referência que ajuda a calibrar o que se vê em quadra: uma estreia de calouro com 29 pontos e 48 minutos hoje seria tratada como fenômeno absoluto. Em 1969, foi apenas o primeiro capítulo da carreira mais produtiva que a NBA teve por quase quatro décadas.
O Bucks seria campeão já na temporada seguinte, com Oscar Robertson ao lado, e só voltaria ao título 50 anos depois, em 2021. Para situar outras referências fundadoras da liga, vale revisitar a trajetória de Bob Pettit, o primeiro MVP da história; para o presente, o calendário completo da temporada e a nossa cobertura de NBA têm os jogos que valem a madrugada.
Com informações do BasketUSA.
Fonte: BasketUSA, ESPN.
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