[NBA] Blazers, Moda Center e o prazo de dezembro que decide Portland

Julien Josset | 18/10/2026 - 17:46

O dono dos Portland Trail Blazers, Tom Dundon, repetiu nesta semana que a prioridade é manter a franquia em Portland. A frase tranquiliza, mas o calendário que decide o caso não é o dele: é o do dinheiro público do Oregon. O prazo para fechar o acordo de reforma do Moda Center vai até 31 de dezembro.

US$ 586 milhões públicos e uma condição de 20 anos

O pacote em discussão soma até cerca de US$ 586 milhões de recursos públicos: US$ 365 milhões do estado do Oregon, US$ 120 milhões da cidade de Portland e até US$ 101,6 milhões do condado de Multnomah. Nada disso é incondicional. A liberação dos US$ 365 milhões estaduais depende da assinatura de um novo contrato de arena que mantenha o time na cidade por pelo menos 20 anos, e o prazo para fechar as linhas gerais do projeto é 31 de dezembro.

O Moda Center foi inaugurado em 1995 e é hoje a arena mais antiga da NBA que nunca passou por uma reforma ampla, como registrou a Associated Press quando o condado e a câmara municipal votaram suas parcelas, em agosto. O contrato atual vai até 2030, e é esse detalhe que Dundon usa como escudo: segundo ele, com quatro anos de contrato pela frente, uma mudança “não está em discussão”. O atrito real está em quanto a própria franquia entra com dinheiro. Dundon considera que manter o time na cidade, os impostos pagos e o impacto econômico local já são a contribuição dos Blazers, posição que travou a divisão de custos por meses.

Por que mudar de cidade é estatisticamente improvável

A NBA aprovou a venda dos Blazers ao grupo de Dundon em março de 2026, com avaliação de US$ 4,25 bilhões. E a mecânica institucional não depende da vontade do dono. Para sair de Portland, ele precisaria apresentar pedido formal, passar por uma análise de até quatro meses de uma comissão com no mínimo cinco dirigentes de franquias e, depois, obter a aprovação da maioria dos 30 donos da liga, cujo comissário, Adam Silver, já disse que consideraria “um fracasso” perder o time para outra cidade.

O histórico confirma a taxa de base. A última franquia da NBA a trocar de cidade foi o Seattle SuperSonics, que virou Oklahoma City Thunder em 2008: são 18 anos sem nenhuma mudança. Em um quarto de século houve três (Vancouver para Memphis em 2001, Charlotte para Nova Orleans em 2002 e Seattle em 2008). Portland está no Oregon desde 1970, são 56 temporadas no mesmo endereço, e a cobertura dos Blazers mostra uma torcida que Silver citou nominalmente como uma das melhores da liga.

Por que o torcedor brasileiro deve acompanhar

Arena nova não é assunto de arquitetura, é de receita. Camarotes, publicidade e naming rights entram na receita bruta que a NBA divide com os jogadores e que define o teto salarial, o mesmo número que sustenta os maiores salários da NBA. Quando uma das 30 franquias fica para trás em receita comercial, como Silver admite ser o caso do Moda Center, o efeito chega a todo mundo: menos folga de teto, mais pressão sobre os aprons e menos margem para montar folha salarial.

Na quadra, os Blazers estreiam em casa contra o Phoenix Suns na quarta-feira, 21 de outubro, às 23h de Brasília, no segundo dia da temporada regular. Quem acompanha a NBA no Brasil tem a temporada dividida entre ESPN, Disney+ e Prime Video, com o NBA League Pass como alternativa; a grade muda jogo a jogo, vale conferir no dia.

Com informações do BasketUSA.

Fonte: BasketUSA, Associated Press, Sportico, ESPN.

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