Quatro jogos, quatro “DNP – decisão técnica”. Gary Trent Jr. assinou neste verão uma extensão de quatro anos e US$ 64 milhões com os Bucks e ainda não jogou um minuto na temporada 2026-27. Ele não está lesionado. A explicação oficial é de rotação. A explicação provável, segundo o BasketUSA, é outra: uma investigação da NBA sobre o próprio contrato.
O que os box scores da ESPN mostram
Os Bucks começaram o ano com 1-3, e a única vitória veio na noite passada, por 110 a 102 sobre os Pacers. Em todas as quatro partidas, Trent Jr. e o veterano Caris LeVert ficaram fora da lista de quem jogou. Enquanto isso, o técnico Taylor Jenkins distribuiu minutos entre Ryan Rollins, Tyler Herro, Kasparas Jakucionis, AJ Green e o calouro Brayden Burries, escolha número 10 do último draft.
Jenkins disse que equilibra suas respostas sobre a rotação, elogiou o profissionalismo do jogador e admitiu ter tido conversas francas com ele no início da temporada. Prometeu que a chance virá, sem dizer quando.
Um aumento que não bate com a produção
Os números ajudam a entender por que a liga olhou para o contrato:
- US$ 15,2 milhões é o salário de Trent Jr. nesta temporada. Na anterior, ele recebeu US$ 3,7 milhões: o salário sobe mais de quatro vezes.
- US$ 64 milhões em quatro anos dão média de US$ 16 milhões por ano para um jogador que fez 8,1 pontos com 38,7% de aproveitamento em 2025-26, contra 11,1 pontos e 43% na temporada anterior, segundo a ESPN.
- Ele havia assinado por US$ 7,5 milhões em dois anos antes do ano passado, contrato que lhe deu os chamados direitos Bird antecipados, mecanismo que permite estourar o teto para renovar.
A ESPN informou em julho que a NBA investiga a extensão por “possível manobra para driblar o teto salarial”. A cláusula em análise é a do “acordo prévio”: a liga quer saber se os Bucks prometeram algo, nas temporadas anteriores, em troca desse salário mais alto agora. A liga não divulgou conclusão, e o próprio BasketUSA apresenta a ligação entre a investigação e o banco como hipótese, não como fato confirmado.
O precedente de 2000 e o recado do caso Clippers
A liga já puniu esse tipo de arranjo. Em 2000, os Timberwolves prometeram em segredo a Joe Smith uma extensão multianual a partir de 2001-02, depois de três temporadas jogando por contratos curtos. O comissário David Stern anulou os contratos do jogador, tirou de Minnesota as cinco escolhas seguintes de primeira rodada e aplicou multa de US$ 3,5 milhões. Smith ainda perdeu os direitos Bird.
O ambiente atual é mais duro. Em 2 de setembro, a NBA puniu os Clippers com multa de US$ 30 milhões e a perda de cinco escolhas de primeira rodada (2029 a 2033) no caso Kawhi Leonard. Leia a nossa cobertura da suspensão de Steve Ballmer. Nesse clima, escalar um jogador cujo contrato está sob suspeita pode parecer imprudente para a franquia, ainda que nada o impeça formalmente.
A consequência prática é dupla. No curto prazo, Trent Jr. vira um salário de US$ 15,2 milhões parado no banco de uma franquia que precisa de vitórias. No longo prazo, se a liga concluir que houve acordo prévio, o precedente de Smith indica que o contrato pode ser anulado, e não apenas multado. O próximo teste dos Bucks vem na quinta-feira, 29 de outubro, contra os Rockets, e o calendário da NBA mostra mais três jogos até o dia 5 de novembro. Acompanhe também tudo sobre os Milwaukee Bucks.
Fonte: ESPN, ABC7.
Com informações do BasketUSA.
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