Payton Pritchard assinou com o Boston Celtics uma extensão de duas temporadas e 44,2 milhões de dólares, que o mantém na franquia até 2030. O detalhe que dá sentido ao número: em 2023, o armador queria sair de Boston porque não jogava.
Para quem acompanha a NBA de longe, uma apresentação rápida. Pritchard, hoje com 28 anos, foi a 26ª escolha do Draft de 2020, saindo de Oregon, e nunca vestiu outra camisa na liga. Era peça de rotação no time campeão de 2024. Em 2022/23, jogou 48 partidas, com 13,4 minutos e 5,6 pontos por noite — e pediu para ser negociado. Em 2025/26, terminou com 17,0 pontos, 5,2 assistências e 3,9 rebotes em 32,3 minutos, em 79 jogos e 50 deles como titular, acertando 37,7% dos arremessos de três e 89,0% dos lances livres. Pelo caminho, levou o prêmio de melhor sexto homem da temporada 2024/25.
A curva que o Boston comprou
A progressão de Pritchard não tem salto: tem rampa. Os minutos subiram de 13,4 por jogo em 2022/23 para 22,3, depois 28,4 e finalmente 32,3. Os pontos acompanharam: 5,6, 9,6, 14,3 e 17,0. As assistências foram de 1,3 para 5,2 no mesmo intervalo, e esse é o indicador mais revelador do conjunto — ele deixou de ser apenas um arremessador de reposição para conduzir o ataque das segundas unidades.
O que Boston pagou, porém, não foi a linha estatística. Foi o perfil. No meio da temporada passada, Joe Mazzulla devolveu Pritchard ao banco depois das 50 titularidades, e a produção não desabou. “Ele continua motivado sem ter ego. É um equilíbrio difícil. Titular ou reserva, jogando 20 ou 30 minutos, a motivação dele não muda”, resumiu o técnico. Um jogador que entrega o mesmo nas duas funções vale mais para um elenco caro do que um reserva que precisa ser promovido para render.
Por que 22 milhões por ano cabem no orçamento
A estrutura do acordo é a parte que raramente aparece nas manchetes. Pritchard recebe 7,7 milhões nesta temporada, dentro do contrato que já estava em vigor; os cerca de 22 milhões anuais da extensão só começam a pesar quando esse vínculo atual terminar. Ou seja, Boston protegeu o presente e empurrou o aumento para um ciclo em que os outros compromissos do elenco já terão mudado. É cálculo de janela, não generosidade.
O próprio jogador fez a conta em voz alta: “22 milhões de dólares por ano é muito dinheiro, sobretudo quando se olha o que eu recebia antes”. A comparação é brutal — ele deveria somar cerca de 40 milhões em suas oito primeiras temporadas na liga. Agora vai receber mais do que isso em dois anos. “Daqui a três anos, talvez eu seja um jogador melhor, e espero ser recompensado assim de novo”, completou.
O teste começa nesta terça
Boston vem de 56 vitórias e 26 derrotas e estreia fora de casa, contra o Detroit Pistons, nesta terça-feira às 16h de Brasília — um horário de tarde incomum, garantido pela transmissão nacional nos Estados Unidos. A pergunta prática para o início de temporada é se Mazzulla abre com Pritchard entre os cinco iniciais ou repete a fórmula que funcionou: o mesmo jogador, saindo do banco, com a bola na mão.
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Fonte: BasketUSA, ESPN.
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