A NBA volta nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, e a liga escalou para a noite de abertura exatamente os quatro times que terminaram a última fase regular na frente de todos. Thunder (64-18), Spurs (62-20), Pistons (60-22) e Celtics (56-26) entram em quadra no mesmo dia, somados aos Knicks campeões e a um Philadelphia 76ers irreconhecível. São três jogos, todos transmitidos pela NBC nos Estados Unidos, e nenhum deles é amistoso disfarçado.
A tese desta abertura é simples: os três confrontos medem continuidade contra reconstrução. Detroit, San Antonio e Nova York chegam com o mesmo núcleo que os levou longe em junho. Boston e Philadelphia trocaram de identidade no mesmo negócio — Jaylen Brown foi para a Pensilvânia, Paul George e Mitchell Robinson chegaram a Massachusetts — e Oklahoma City perdeu três peças de rotação do título. Quem já se conhece tende a ganhar as primeiras semanas, e é essa a leitura que organiza os prognósticos abaixo.
Celtics x Pistons: o primeiro lugar do Leste faz as contas
Às 16h de Brasília, no Little Caesars Arena, Detroit recebe Boston. A NBA marcou o jogo para as 15h no horário do Leste dos Estados Unidos, um início de tarde incomum para uma noite de abertura. Os Pistons de J.B. Bickerstaff fecharam 2025-26 com 60-22 e a terceira melhor defesa da liga, e venceram três dos quatro duelos diretos contra os Celtics na fase regular — 119-113, 112-105 e 104-103, com a única derrota por 117-114. O detalhe que importa: aquele recorte aconteceu quase todo sem Jayson Tatum, que passou a temporada se recuperando do tendão de Aquiles.
Cade Cunningham entra no sexto ano vindo da melhor campanha da carreira e de um detalhe que muda o teto do time: acertou mais de 40% dos arremessos de três pontos nos 14 jogos de pós-temporada. O problema de Detroit continua sendo o espaçamento ao redor dele. Ausar Thompson e Jalen Duren converteram seis bolas de três somados na temporada passada. A franquia respondeu trocando Tobias Harris por John Collins e contratando Isaiah Joe, que acerta mais de 40% de três há quatro anos.
Boston chega 4-0 na pré-temporada, com duas vitórias sobre o próprio Philadelphia (144-106 e 125-120). Mas o time de Joe Mazzulla tem um buraco herdado da troca: os Celtics foram os últimos da NBA em tentativas de lance livre em 2025-26, e quem partiu, Brown, era o quinto da liga no quesito. George, aos 36, já não vai à linha como ia. Mazzulla nunca ganhou menos de 56 jogos em quatro temporadas e nunca ficou fora do top-5 em ataque e defesa ao mesmo tempo — façanha que só o Thunder de 2023-24 e 2024-25 e o Spurs de 2025-26 repetiram no período. Ainda assim, integrar dois titulares novos leva semanas.
Prognóstico: Pistons. Casa, continuidade e o histórico recente de 3-1 pesam mais do que quatro vitórias de pré-temporada.
76ers x Knicks: a estreia de LeBron contra os campeões
Às 20h, no Madison Square Garden, o jogo da noite. Nova York é a campeã da NBA — bateu San Antonio por 4-1 nas finais, fechando a série em 13 de junho, fora de casa, por 94-90, e encerrando um jejum de 53 anos. O número que sustenta o favoritismo dos Knicks não é o anel: é o saldo de 14,9 pontos por jogo na pós-temporada, o maior de qualquer campeão na história da liga. Dos sete líderes anteriores nesse recorte, seis foram bicampeões no ano seguinte.
O time de Mike Brown foi o terceiro em eficiência ofensiva na fase regular (119,8 pontos por 100 posses) e o primeiro nos playoffs (120,4), contra adversários melhores. A fragilidade é o garrafão: Mitchell Robinson foi para Boston e Andre Drummond chegou com perfil diferente, menos protetor de aro e menos reboteiro ofensivo nos momentos decisivos. A pré-temporada foi péssima: 1-4, incluindo 98-148 em Toronto.
Do outro lado, o experimento mais comentado da liga. Philadelphia reuniu LeBron James, que assinou aos 41 anos pelo mínimo de veterano, Jaylen Brown, Joel Embiid, Tyrese Maxey e VJ Edgecombe. No papel é um dos melhores quintetos da NBA: Brown vem de 29 pontos, sete rebotes e cinco assistências por jogo em Boston; Maxey foi o quinto cestinha da liga (28,3); Edgecombe fez 16,0 pontos, 5,6 rebotes e 4,2 assistências como calouro de 20 anos. Na prática, Nick Nurse tem nove jogadores novos para encaixar, Embiid perdeu 150 jogos nas últimas três temporadas e Ariel Hukporti, contratado para ser o reserva do camaronês, rompeu o tendão de Aquiles na pré-temporada.
Há ainda um problema estrutural que o talento não resolve de imediato. Segundo a GeniusIQ, a defesa dos Sixers permitiu em 2025-26 arremessos de qualidade equivalente a 55,8% de aproveitamento efetivo — a sexta pior marca da liga, atrás apenas de cinco times que perderam ao menos 56 jogos.
Prognóstico: Knicks. O Garden na noite de hasteamento da bandeira, contra um time com nove caras novas e um pivô sem ritmo de jogo, é um primeiro teste cruel para Philadelphia.
Thunder x Spurs: a revanche que abre a temporada
Às 22h30, no Frost Bank Center, a NBA repete a final do Oeste de 2026. San Antonio eliminou Oklahoma City em sete jogos e, somando fase regular e pós-temporada, venceu oito dos doze confrontos da temporada passada — 4-1 na fase regular, 4-3 na série. Para um time que ganhou 64 jogos e tem o bicampeão de MVP Shai Gilgeous-Alexander, é o único recorte verdadeiramente ruim do ano.
Oklahoma City perdeu Luguentz Dort, Isaiah Joe e Aaron Wiggins em trocas de ajuste salarial, mas manteve Chet Holmgren e Jalen Williams, ambos no All-NBA, além de Alex Caruso e Cason Wallace na defesa. Wallace liderou a liga em roubos de bola com 150 em 77 jogos jogando apenas 26,6 minutos, e deve ganhar minutos com a saída de Dort. A fraqueza segue sendo o rebote: 22º da NBA, com 49,0% de aproveitamento, mesmo escalando dois atletas de 2,13 m.
San Antonio tem Victor Wembanyama e o enigma que Mitch Johnson vai testar em público: quintetos com três armadores, juntando De’Aaron Fox, Dylan Harper e Stephon Castle. Os Spurs fecharam a pré-temporada 2-3, mas com as duas últimas vitórias confortáveis (123-103 e 126-97). O Thunder fez 1-4, incluindo 89-116 em Houston.
Prognóstico: Spurs. O matchup já se provou: Wembanyama é o único pivô da liga capaz de anular a vantagem de altura que Oklahoma City impõe a todo mundo, e o jogo é em San Antonio.
Horários no Brasil e o que priorizar
Nenhum dos seis times tem brasileiro no elenco, o que torna a escolha puramente de calendário. Para quem acorda cedo na quarta-feira, a ordem de prioridade é esta:
- 16h — Celtics x Pistons, no Little Caesars Arena. O único em horário de tarde, e a melhor amostra do novo Leste.
- 20h — 76ers x Knicks, no Madison Square Garden. A estreia de LeBron James com a camisa de Philadelphia e o hasteamento da bandeira de campeão. Se der para ver só um, é este.
- 22h30 — Thunder x Spurs, no Frost Bank Center. Revanche da final do Oeste e o jogo de maior nível técnico dos três.
A rodada seguinte é maior: 11 jogos na quarta-feira, 21 de outubro. Quem acompanha a liga pela tabela da NBA encontra ali os horários atualizados de toda a semana, e as análises por franquia ficam no hub de NBA.
Para contexto antes de ligar a TV: a reorganização defensiva de Boston em torno de Paul George e Mitchell Robinson, a divisão de bola em Philadelphia entre LeBron, Brown, Embiid e Maxey e o quinteto inicial que Mitch Johnson escalou para a estreia explicam boa parte do que se vai ver nesta terça.
Fonte: ESPN, NBA.com, GeniusIQ (via ESPN), NBC Sports.
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