Os Dallas Mavericks cortaram Dwight Powell a dois dias da estreia na temporada 2026/27 e encerraram, de uma só vez, doze temporadas de convivência. O pivô canadense de 35 anos chegou ao Texas em dezembro de 2014, no pacote da troca que levou Rajon Rondo para Dallas, e atravessou as eras de Dirk Nowitzki e Luka Doncic. Saiu porque a franquia precisava reduzir o elenco ao limite de 15 jogadores antes do início da temporada regular.
Antes de tratar o caso como nota de rodapé, vale dimensionar quem foi dispensado. Powell disputou 763 jogos com a camisa dos Mavericks, o quinto maior número da história da franquia, atrás apenas de Nowitzki (1.522), Brad Davis (883), Derek Harper (872) e Rolando Blackman (865). Fez 6,5 pontos e 4,3 rebotes de média, com 60,6% de aproveitamento nos arremessos de quadra — o quarto melhor índice entre todos os jogadores que já passaram por Dallas.
O corte não foi sentimental: estava escrito no contrato
Aqui está o ponto que a leitura rápida perde. Em setembro, Powell assinou um novo vínculo de um ano e 3,88 milhões de dólares, mas com apenas 1 milhão garantido — pouco mais de um quarto do valor total. Na prática, não era um contrato: era uma opção de compra. Dallas pagou barato pelo direito de observar o veterano na pré-temporada e desistir sem custo relevante. Três aparições em jogos de preparação depois, a diretoria desistiu.
Esse desenho contratual explica por que o “jogador de uma única franquia”, aquele que fica uma década na mesma casa, virou raridade nesta década da NBA. Com as faixas de teto salarial apertando quem gasta acima dos limites, cada vaga no fim do elenco precisa devolver minutos aproveitáveis ou flexibilidade financeira. Lealdade não entra na planilha. Powell perdeu a disputa para um garrafão que já tinha Dereck Lively II, Daniel Gafford e Moussa Cissé.
O que Dallas perde de verdade
Em quadra, pouco. O papel de Powell já era residual: 3,3 pontos e 4,1 rebotes em 14 minutos na temporada passada, praticamente os mesmos números de 2023/24. Fora dela, a franquia perde o profissional que servia de referência no vestiário, inclusive para os jogadores mais jovens do grupo.
“Dwight foi um profissional exemplar ao longo de suas doze temporadas com os Mavericks e representa tudo o que esperamos de alguém que veste esta camisa”, disse Masai Ujiri, presidente de operações de basquete do clube, em comunicado oficial. “Ele sempre fará parte da família Mavericks.”
Por que isso importa para a temporada
Dallas vem de uma campanha de 26 vitórias e 56 derrotas, a 12ª colocação do Oeste, e precisa de minutos produtivos, não de símbolos. O recado interno é direto: a diretoria está disposta a pagar o custo de imagem de dispensar um nome querido para liberar uma vaga de elenco.
- Estreia dos Mavericks: em Houston, contra os Rockets (52-30 na temporada passada), na quarta-feira, às 21h30 de Brasília.
- Garrafão: Lively II e Gafford dividem o posto, com Cissé como terceira opção.
- Situação de Powell: agente livre aos 35 anos, em busca de um novo destino na liga.
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Fonte: BasketUSA, ESPN, comunicado oficial dos Dallas Mavericks.
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