David Robinson acredita que o San Antonio Spurs de Victor Wembanyama pode repetir 2014, quando o time voltou um ano depois de perder a final e ficou com o título. A história da liga é menos generosa com essa ideia: desde 1980, só 9 dos 46 vice-campeões foram campeões na temporada seguinte, e apenas 13 conseguiram sequer voltar à final.
O precedente de 2014, com um brasileiro no elenco
Em 2013, os Spurs perderam a final para o Miami Heat em sete jogos. No ano seguinte, reencontraram o mesmo adversário e venceram por 4 a 1, com Kawhi Leonard eleito o melhor jogador das finais. Naquele elenco estava Tiago Splitter, o primeiro brasileiro campeão da NBA, ao lado de Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginóbili.
O roteiro de agora se parece com aquele. Na final de 2026, os Spurs caíram por 4 a 1 diante do New York Knicks de Jalen Brunson, série que teve, entre outros capítulos, o erro de De’Aaron Fox no jogo 4. “Eles chegaram muito perto. Faltaram só três vitórias para o título. Isso transforma qualquer um, não é?”, disse Robinson, bicampeão com a franquia em 1999 e 2003. “Não falta nada. Não é como se a gente estivesse se perguntando o que precisamos acrescentar para ganhar. Agora é se manter saudável, jogar e fazer o que precisa ser feito, como os Spurs fizeram em 2014.”
O que dizem 46 vice-campeões
A lista de finais do Basketball-Reference ajuda a medir o otimismo do “Almirante”. Dos vices de 1980 a 2025, nove viraram campeões no ano seguinte: 76ers (1983), Lakers (1985), Celtics (1986), Pistons (1989), Lakers (2009), Heat (2012), Spurs (2014), Cavaliers (2016) e Warriors (2017). É uma taxa de cerca de 20%.
Há um detalhe nessa lista: em seis dos nove casos, o título veio numa revanche contra o mesmo adversário da final anterior. Ou seja, o caminho mais comum foi reencontrar um rival conhecido, e não uma ascensão contra um campo novo. Para o Spurs, isso significaria cruzar de novo com os Knicks em junho, o que exige que os dois atravessem suas conferências. O argumento de Robinson tem base: o núcleo foi mantido, com Fox, Dylan Harper, Stephon Castle e Devin Vassell em volta de Wembanyama. Mas a régua histórica sugere cautela.
Os primeiros sinais de 2026-27
O começo foi irregular: duas derrotas em casa, para o Oklahoma City Thunder (116 a 104) e o Houston Rockets (114 a 110), e depois duas vitórias, em Dallas (122 a 106) e contra o Sacramento Kings (130 a 103), na noite de terça-feira. Contra os Kings, Wembanyama fez 29 pontos, 10 rebotes e 5 tocos, com 14 de 21 nos arremessos, segundo o box score da ESPN, e igualou o recorde pessoal com nove enterradas. A atenção que ele atraiu perto do aro abriu espaço para Julian Champagnie, que converteu 8 de 13 bolas de três; o time acertou 17 de 37 de longe.
O próprio francês puxou o freio: “É provavelmente o meu melhor jogo no ataque nesta temporada. Mas não acho que seja necessariamente um ótimo indicador.” É a leitura mais prudente: quatro jogos não dizem se o Spurs está entre os 20% da história. A sequência pode ser acompanhada no calendário da NBA e na página do Spurs.
Com informações do BasketUSA.
Fonte: BasketUSA, ESPN, Basketball-Reference.
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