NBA: em crise, Warriors precisam desapegar do passado para continuar dinastia

Paola Zanon | 09/01/2024 - 08:00

A temporada que o Golden State Warriors vem fazendo em 2023-24 na NBA tem mostrado que a saída de Jordan Poole não era a solução de todos os problemas da franquia. O buraco é bem mais embaixo.

Em crise desde 2022, quando Draymond Green deu um soco em Poole ainda durante a pré-temporada, a equipe de São Francisco não conseguiu mais encaixar todas as peças que a tornam uma das maiores da liga.

O problema explodiu após a eliminação para o Los Angeles Lakers nas semifinais da Conferência Oeste em 2023; essa foi a primeira vez que o time foi desclassificado antes das finais desde que Steve Kerr assumiu o comando.

O vestiário dos Warriors estava rachado entre veteranos que não abriam mão de seus lugares conquistados após quatro títulos em oito anos, e novatos que queriam mais espaço para mostrar seu talento —todos eles se sentiram preteridos quando a diretoria não deu uma punição para a agressão de Draymond contra Poole.

A preferência pelos veteranos se confirmou durante a offseason, quando o Golden State renovou o contrato de Green, de 33 anos, para mais quatro anos por US$ 100 milhões (R$ 480 milhões, na cotação atual), ao mesmo tempo em que enviou ao Washington Wizards Jordan Poole, de 25, em troca de mais um jogador experiente: Chris Paul, de 38 anos.

Dinastia dos Warriors está presa ao passado

Como em toda dinastia, o treinador sempre deu preferência para a hierarquia tanto na escalação, quanto na rotação. Mas também, como em toda dinastia, os cargos são assumidos por sucessores quando chega a hora.

Kerr e o trio de tetracampeões formado por Draymond, Stephen Curry e Klay Thompson parecem não ter percebido que chegou a hora de dar um passo para trás, pois já não são mais os mesmos que conquistaram quatro títulos.

Klay Thompson, Stephen Curry e Draymond Green na temporada 2023-24 da NBA. Foto: Icon sport
Klay Thompson, Stephen Curry e Draymond Green em jogo dos Warriors na temporada 2023-24 da NBA. Foto: Icon sport

A começar por Green, que tem o trash talk como marca registrada na defesa. A falta de uma punição severa dos Warriors após a briga com Poole deu a ele a impressão de que poderia fazer qualquer coisa, que seria “absolvido”. Mas a liga não funciona assim.

Após agredir fisicamente dois jogadores em quadra, Rudy Gobert e Jusuf Nurkic, Draymond pegou uma suspensão somada de 17 jogos nas 35 primeiras rodadas da temporada, deixando o time na mão. Enquanto isso, Jordan estaria disponível se não tivesse sido trocado.

Thompson, por sua vez, já não tem mais a mesma consistência de dois anos atrás, quando conquistou o título mais recente. O ala-armador, também de 33 anos, tem uma sequência de atuações apagadas para, vez ou outra, apresentar um bom rendimento em quadra. Com três meses de competição, Steve Kerr ainda pede paciência da torcida para que o experiente Klay se encontre em quadra.

É aí que entra Stephen Curry. Quando seus companheiros falham, é para ele que todos os olhos se voltam. É ele quem vira o jogo no clutch time, ele quem mata os adversários nas bolas triplas. Mas o tempo também passou para o Brinquedinho Assassino. Só na atual temporada, o armador já passou dois jogos sem acertar nada na linha de três.

É difícil aceitar que três dos melhores jogadores da NBA nos últimos 10 anos já não sejam mais aqueles jogadores, mas também deveria ser difícil ver o próprio time perder e engatar uma campanha negativa, fora até mesmo da zona de play-in, enquanto jovens talentos ficam no banco sem poder fazer nada a respeito.

Warriors precisam dar chance aos novatos

Nas últimas semanas, Jonathan Kuminga tem soltado reclamações de forma pública sobre sua baixa minutagem em quadra, sobretudo após as derrotas.

Depois de muitas desculpas de Kerr que não explicam muita coisa sobre não usar o ala-pivô mesmo quando o jogo está feio, os executivos dos Warriors foram obrigados a concordar com o jovem de 21 anos.

De acordo com Monte Poole, jornalista da NBC, Joe Lacob, proprietário da franquia, cobrou explicações melhores do treinador após a derrota para o Denver Nuggets na última quinta-feira (4) sobre a não utilização de Kuminga, que jogou durante apenas 18 minutos mesmo estando mais quente que Chris Paul, por exemplo, que jogou 30 minutos.

Jonathan Kuminga, do Golden State Warriors. Foto: Icon sport
Jonathan Kuminga, do Golden State Warriors. Foto: Icon sport

Apesar de válida, a reivindicação de Jonathan não foi vista com bons olhos por Curry, que afirmou, também de forma pública, que esse problema deveria ser resolvido internamente.

Além da insatisfação com a baixa minutagem de Kuminga, o dono dos Warriors também se mostrou frustrado com a equipe técnica por não se empenhar no desenvolvimento de jovens talentos, apostando tudo nos veteranos.

Além do ala-pivô de 21 anos, a franquia tem outros nomes prontos para serem utilizados em seu banco: Moses Moody, Brandin Podziemski, Lester Quinones e o brasileiro Gui Santos. Lacob estaria determinado a não deixar que os jovens tenham o mesmo destino amargo de Poole.

Stephen Curry tinha 26 anos quando conquistou seu primeiro título com o Golden State Warriors, enquanto Klay e Draymond tinham 24. Os jogadores mais novos da franquia não estão ali à toa e precisam ter a mesma oportunidade que os tetracampeões tiveram há 10 anos.

Escrito por Paola Zanon
Paola Zanon é jornalista formada pela Cásper Líbero, repórter e redatora com passagens pelo Notícias da TV, R7 e UOL Esporte. A carreira no jornalismo esportivo começou com a cobertura dos Jogos Pan-Americanos de 2019 pelo R7 até chegar ao Quinto Quarto em fevereiro de 2023. São-paulina de coração e apaixonada por basquete, futebol e viagens.